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Laboratório do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza

Paredões de som: uma febre que virou problema público no Ceará

Para se ter um ideia da gravidade da poluição sonora, uma pirâmide de riscos da organização Mundial de Saúde (OMS), numa escala de cinco graus, revelou que Fortaleza chegou ao terceiro patamar.

É fácil ver, ou melhor, escutar próximo a restaurantes, bares, praias e casas de show o barulho dos chamados “Paredões de Som”. São verdadeiros trios elétricos, montados com altos investimentos dos donos. Os proprietários chegam a custear cerca de trinta mil reais para possuir uma máquina de som no próprio carro particular.

“Os Paredões de Som” são bem característicos. Torres de alto-falantes (formato de paredão) acopladas a carros ou caminhonetes que, geralmente, ficam dispostas ao lado de outros veículos com equipamentos semelhantes nos locais de concentração dessa prática. Mas além desses locais, clubes viraram reduto desses carros que participam de competições que avaliam qual equipamento tem maior potência. No dia quatorze de março de 2010 aconteceu um desses eventos. A 1ª Etapa da nossa Arrancada Cearense de som automotivo reuniu mais de 10 mil pessoas apaixonadas pela barulheira, no município do Euzébio.

Mas o abuso na potência de som tira a paciência da população. No bairro Montese, por exemplo, aos domingos fica impossível assistir a uma missa na igreja da praça central. Os moradores chamam a polícia para baixar o som, mas quando os policiais saem eles retornam e continuam na ilegalidade. Muita gente não esconde a revolta com o barulho que atanzana a vida, roubando a tranquilidade. A insatisfação é tanta que só em uma das inúmeras comunidades on-line na rede social orkut contra a prática tem 151.274 adeptos.

Alguns amantes do som alto reconhecem os malefícios da prática à população: “Se for ver pelo ângulo que eu frenquento, eu gosto. Mas por outro lado atrapalha se for na zona urbana. O ideal é que seja em locais afastados, como sítios” afirma a estudante de jornalismo Zara Araújo frequenta campeonatos de paredões de som. Segundo ela, a maioria dos amigos possui, e é bom para ficar se divertindo e dançando ao redor do carro. Mas muito além da barulheira as motivações de proprietários parece partir de um interesse de auto-afirmação. “A maioria dos homens se sentem valorizados, é uma questão de superioridade. Quando você vai para um campeonato de paredão maior, mais potente, tem o ego aumentado.

Eles se sentem os “caras”, é bom pra ganhar gatas”, conclui a estudante.

Pedro Capibaribe é geógrafo e trabalha na área de desenvolvimento social pela secretaria de cidades. Segundo ele, “toda pessoa tem o direito de ter o som que quizer, investir o que quizer. Ele é o dono do dinheiro, ele tem a liberdade. Agora querer que todo mundo compartilhe o equipamento dele é um coisa equivocada”. Ele afirma que a sociedade se coloca num patamar de contradição, quando ela está num padrão de modernidade e assume um comportamento incoerente.

Problema grave à saúde

Para se ter um ideia da gravidade da poluição sonora, uma pirâmide de riscos da organização Mundial de Saúde (OMS), numa escala de cinco graus, revelou que Fortaleza chegou ao terceiro patamar. Ou seja, a população está exposta a decibéis bem acima do suportado pela audição, com isso enfrentando desconforto auditivo, estresse, alterações da pressão arterial e do sistema nervoso. A legislação em Fortaleza permite o uso de alto-falantes com potência de até 80 db (decibéis – unidade de medida do som). Mas para a OMS esse nivel já é prejudicial à saúde. Para a OMS o limite tolerável ao ouvido humano é de 65 db.

Lei do paredão

Vereador Guilherme Sampaio em sessão na Câmara dos Vereadores.

Na Câmara Municipal de Fortaleza, o vereador Guilherme Sampaio do PT, apresentou um projeto de lei que condiciona a montagem de equipamentos de som à prévia autorização do poder público. A proposta parte do pressuposto de que o nível de pressão sonora é diretamente proporcional à área dos cones dos alto-falantes, responsáveis pela emissão do som, por isso o conteúdo põe critério a essa medição. O limite de 80 centímetros equivale a aproximadamente 32 polegadas. Diante disso, quem quizer montar alto-falante com esse tamanho vai necessitar da licença da Secretaria do Meio Ambiente do Município (Semam).

De acordo com o autor, vereador Guilherme Sampaio, a proposta já foi aprovada na Comissão de legislação da Câmara de Vereadores e está pronta para ir a votação. Por conta do período eleitoral que deixou a casa com poucos parlamentares a votação foi adiada. Mas o vereador antecipa: “A matéria vai ser colocada para votação nesse segundo semestre e até o final do ano deve ser votada”.

Guilherme Sampaio disse ainda que está havendo uma resistência para a votação, inclusive, dentro da Câmara. “Os empresários dizem que a legislação vai provocar desemprego no setor de equipamentos de som para veículos automotivos., causando prejuízos”, afirma Sampaio. Mas o vereador garante: “É possivel unir a atividade econômica com o controle da poluição sonora”.

Para Pedro Capibaribe não precisa se criar mais marcos regulatórios, a legislação ambiental já é suficiente. O problema estaria em outra vertente, na falta de educação das pessoas. “Do ponto de vista do patrimonial, coletivo, dos direitos do cidadão. É a formação dos cidadãos que está fragilizada, em todas as esferas e classes sociais. Não vai um órgão de controle que pode dizer o que fazer ou não” declara ele.

Texto: Aldeson Matos e Leonardo Capibaribe

*Esta reportagem foi produzida pelos alunos da disciplina Oficina em Jornalismo/Ciberjornalismo do semestre 2010.2.


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9 comentários em “Paredões de som: uma febre que virou problema público no Ceará

  1. HELIO
    1 de agosto de 2011

    VAO SE PREOCUPAR COM A VIDA DE VCS,DEIXA A DOS OUTROS,A VIDA CONTINUA, E MELHOR ESCUTAR DO QUE ROUBAR

    • CRISTINA
      23 de abril de 2013

      O QUE OCORRE SEU DESINFORMADO QUE “TUA VIDA”, OU SEJA TEU BARULHO INCOMODA A VIDA DE MUITOS OUTROS, SE VC PEGAR UM FONE DE OUVIDO E ESCUTAR SOZINHO, PODES COLOCAR A ALTURA QUE QUISERES.

  2. jl
    21 de janeiro de 2012

    samos loucos por som caralho

  3. everaldo menezes
    15 de fevereiro de 2012

    nao sou cotra o paredão por que eu tenho e sei quanto custa. os fucionários da sucom apreendem o som e depois levam para casa. eles tiram os equipamentos bons e destroem os ruins. sobre isto, cadê a solução? não sou contra o paredão, sim ao abulso de poder!

  4. edy
    22 de março de 2012

    Eu acho que a lei é falha, ja que querem proibir certo! mas vamos fazer a lei de maneira certa. Não deviam levar o som das pessoas e sim multar o carro que estiver usando o som e se não resolver, sim levar mais tem que garantir a integridade do som podendo responder se estiver faltando aparelho quando o dono for retirar o mesmo .obrigado

  5. ramon
    8 de maio de 2012

    o negocio e simples, os politicos eram pra se preocupar com os roubos dentro do governo mais nao estao nem ai, agora pra prender som o ronda chega em 3 minutos , agora liga dizendo que foi assaltado eles nem aparecem la infelismente é o brasil zil zil..

  6. Jose FINELON
    15 de junho de 2012

    Eu acho que deveria multar o dono do paredão no caso dele não acater a orden da lei de baixar o volume,e não prender o nosso som, pra depois eles Rouberem as Peças como eles fazem com os Carros que vam pro curral.”Os POLITICOS sam ASSIM pra nos Contra a LEI PRA ELES ALEI!!!” ” IPOCRITAS”

  7. ROSIANE
    7 de setembro de 2012

    Eu particularmente sou totalmente contra os sons de carros muito alto ao ponto de tirar o sossego dos outros,e dá uma baita dor de cabeça de enlouquecer . Quero leis e que se cumpra-a.

  8. Jefferson
    16 de agosto de 2013

    Bom sou profissional no seguimento de som e acessórios automotivos em Minas Gerais, e aqui assim como no nordeste tem existido discussões acaloradas sobre o tema. Por isso, vou deixar aqui alguns itens que devem ser observados…
    * O direito de um vai até onde termina o do outro…
    * Para as pessoas que não estão dispostas a ouvir eu concordo…Som é F…
    *Os legisladores, querem legislar sobre pra fazer bonito pro eleitor que não gosta de som, mais não têm conhecimento algum sobre níveis de som e outros dados técnicos, e na época de eleições são os primeiros a nos infernizarem com os malditos dingles… Lembrem-se disso nem é preciso se esforçar muito. Acho pouco provável que mesmo que nas mais remotas cidades de nossa nação tenha tido algum politico que se elegeu sem a tal propaganda volante.
    *Do mesmo jeito que existem Lugares específicos pra quem gosta de Ficar pelado ( estão vendo como é ruim sentir que os outros recriminam os nossos gostos) pra mim é loucura… mais respeito quem gosta e acho certíssimo que eles tenham os espaços deles… Entam por que não pegam os espaços que a maioria de nossas cidades tem reservados para eventos, como exposições e etc… e que são mantidos com o dinheiro de quem gosta e de quem não gosta de paredões e liberam para a pratica da atividade, ai sim quem estiver fora de determinada regra ou local, mete multa apreende equipamento, ou sei-la… da mesmo forma que quem sair por ai em via publica peladão vai sofrer algum tipo de punição!!!

    Em fim eu entendo e respeito, tanto os amantes do barulho quanto os amantes do silêncio e acho que existe espaço para todos os GRUPOS!!!

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Publicado às 26 de janeiro de 2011 por em Ciberjornalismo, Oficina em Jornalismo e marcado , , , , , .
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