
A abertura de As Aventuras de Tintin: O Segredo do Licorne começa em um estilo simples de desenho animado. Enquanto aparecem os créditos iniciais, o recurso envolve o telespectador, como uma premissa entusiasta da trama a seguir. Ao público, tal estética pode parecer ligeiramente familiar – e não por acaso. Steven Spielberg, que dirige a animação, também já havia usado a receita em Prenda-me Se For Capaz. Peter Jackson (de O Senhor dos Anéis) encarrega-se de produzir o longa, para depois ocupar o posto de Spielberg como diretor – a sequência das Aventuras de Tintin, que totalizará uma trilogia, já está sendo produzida.
A produção conta com o que há de mais moderno quando o assunto é tecnologia cinematográfica: animação por captura de movimento (o Motion Capture Animation). Este método, usado em Avatar e Planeta do Macacos: A Origem, cria um personagem virtual, reproduzindo ao mesmo tempo as expressões de um ator real. O Tintin, interpretado pelo eterno Billy Elliot, Jamie Bell, traz consigo tamanha perfeição em detalhes, que evidencia até as rugas do herói imberbe. O que pode representar uma espécie de evolução cronológica do personagem, afinal, o Tintin idealizado por seu criador, Hergé, era um jornalista adolescente. Algo até plausível na década de 30, mas que talvez não caiba na ideia contemporânea do que é a adolescência e do que é o jornalismo. Contudo, tais hipóteses não brigam com as nuances idiossincráticas que identificam os personagens. Pelo contrário, os efeitos visuais misturam a realidade e a fantasia dos desenhos, arrancando comentários entusiasmados da plateia infantil. Um encantado “parece de verdade!”, é fácil de ouvir na sala de cinema. Mas vale uma ressalva: o roteiro intrincado, só que infelizmente sem muitas surpresas, pode confundir e dispersar crianças mais novas, embora a censura do filme seja livre.
Outro aspecto a que Spielberg manteve-se fiel, foi a quase completa ausência de personagens femininos. Tintin parece até um workaholic, sem tempo para relacionamentos. No entanto, pode-se chegar a outra conclusão: o foco de Tintin é outro porque ele simplesmente não pensa nessas “coisas”. Ele tem um faro incansável – mas é pela diversão da descoberta, o furo. Essa ausência de flerte com o feminino remete mais a uma infância de outrora, quando a sexualidade não era despertada tão precoce e gratuitamente.
O espetáculo visual, adicionado à trilha sonora, bem ao estilo Indiana Jones, com uma sucessão – que parece interminável – de quedas, explosões e tirolesas, compõe um filme que é o que se espera. A impressão é que não surpreende tanto quanto poderia, entretanto, conserva as expectativas para a sequência da saga.
Veja o trailer:
Texto: Manoela Cavalcanti
(manu_satine@hotmail.com)
Orientação: Alejandro Sepúlveda






Só lembrando: É TintiN e não TintiM.
É Juh, vc tem razão. Embora existam divergências quando a escrita em português, o filme ficou com dois “N”s msm.
Muito bom!! Espero que este filme traga boas lembranças da infância..