“Ao ler este livro, peço ao leitor que procure deixar de lado todos os seus preconceitos, todas as suas memórias e lembranças, e mesmo todas as suas ideias (pre)concebidas acerca deste caso. Peço-lhe que, quase de uma ‘forma virgem’, receba as informações aqui escritas com o intuito de entender a real intenção deste livro: perceber o que pode acontecer a qualquer um de nós, em qualquer momento, sem aviso prévio.”
O trecho acima faz parte da apresentação do livro “As outras vítimas – Relatos inéditos das vidas atingidas pelo caso Casa Pia”, lançado em Portugal em novembro passado pela ex-estudante do curso de Jornalismo, Marta Cruz. Segundo a autora, em menos de um mês, a publicação alcançou o 3º lugar em vendas e, em dezembro, ocupava o 7º lugar no ranking de um site de literatura portuguesa.
Marta, que é filha de pai português e mãe brasileira, se formou em 2011.1 e optou por fazer um livro-reportagem como trabalho de conclusão de curso. “As outras vítimas” reúne o depoimento de Marta e de um conjunto de parentes e amigos próximos do jornalista Carlos Cruz, pai da autora, acusado de envolvimento em um nebuloso caso de abuso sexual de crianças, em 2003, e que ficou conhecido em Portugal como o caso Casa Pia.
Na época, a revelação na imprensa gerou uma comoção nacional, pois envolvia empresários, políticos e gente ligada aos meios de comunicação. Carlos Cruz é conhecido no País luso como “Senhor Televisão” devido à sua longa e bem-sucedida carreira em meios televisivos. Desde o início, declarou-se inocente. No entanto, a Justiça portuguesa o condenou a mais de um ano de prisão, período que aproveitou para preparar a sua defesa e escrever um livro contando como foi envolvido no escândalo e o sofrimento dos 15 meses que passou encarcerado. Também criou um site com depoimentos e documentação para provar a sua inocência.
O livro
Sob a orientação do professor Alejandro Sepúlveda, Marta decidiu escrever o relato dos familiares, amigos e colegas de trabalho do pai em primeira pessoa, contando como eles vivenciaram a acusação, a pressão da mídia e os dias de prisão do jornalista. “O livro mostra que, quando uma pessoa é condenada por um crime e presa, todos aqueles que têm relações afetivas com ela, em alguma medida sofrem também a pena. E, quando o condenado se declara inocente, o depoimento vivo e pessoal de quem conhece o caráter do acusado por longos anos de convivência, ganha então uma dimensão valiosa”, acredita Sepúlveda.
Voltar a reviver junto com parentes e amigos os momentos mais difíceis do processo foi uma das etapas mais complicadas, confessa a autora. “Não foi fácil por ser meu pai. Tive que reviver muitas coisas. Tentei botar para fora minha veia jornalística. Pior foi editar, escutar”. Mas, para ela, o resultado foi satisfatório. “Foi muito bom pra mim. Foi importante porque tem a ver comigo, tem a minha cara. É assim que eu me vejo”, disse.
O livro da ex-estudante inaugurou a modalidade livro-reportagem na disciplina de Teoria e método de pesquisa em Comunicação Social, no curso de Jornalismo da Unifor, e é também o primeiro a ser publicado por um aluno do curso. Marta tem planos agora de escrever um guia de imigração para o Brasil.
Texto: Marília Pedroza
(mariliapedroza2@gmail.com)
Orientação: Prof. Alejandro Sepúlveda





Lembro-me o dia da apresentação do livro a banca avaliadora, a professora Silmara (Elaboração do Trab Cientifico) levou minha turma para assistir. Estavam presentes também as professoras Janaide, Adriana Santiago, Joana e Solange. Fiquei estático ao ver tanta criatividade por parte dos alunos, parabéns a Marta Cruz pelo brilhante trabalho.
Parabéns a Marta Cruz pela iniciativa de reviver a história de seu pai, sob outro ângulo, e transformá-lo em trabalho de conclusão de curso.