Os desvios da educação

Na palestra “Novos desafios para educação”, apresentada, na terça-feira (20), por Rosita Paraguassú e Roberta Cavalcante, ambas professoras da área de psicologia, foram deixadas de lado as respostas e soluções exatas e colocadas questões para inquietar e provocar o debate sobre a imagem remetida a escola. Ela foi ofertada dentro da programação do Mundo Unifor, evento que está acontecendo desde segunda (19) e se estende até amanhã (23).

Rosita em sua explicação sobre a interferência da sociedade na formação da pessoa / Foto: Camila Marcelo
Rosita em sua explicação sobre a interferência da sociedade na formação da pessoa / Foto: Camila Marcelo

Tanto as palestrantes como os presentes entraram no consenso de que o método tradicional de ensino encontra-se em crise. Por mais que ainda vigore em algumas redes de educação de nível médio e superior ou que parte do corpo docente ainda insista nas aulas meramente expositivas e na hierarquia de sabedoria entre professores e estudantes, uma nova fórmula de se desenvolver conhecimento está se mostrando no mercado.

Quando Rosita lançou a pergunta aos presentes no auditório: “o que a gente pensa da educação?”, logo remeteram ao espaço físico, onde educandos estão posicionados em carteiras esperando absorver passivamente as informações dadas pelo educador. Entretanto, ela disse que educação não é simplesmente ligado ao panorama formal, a uma instituição específica para ensinar, abrange também ao panorama informal, a família e a sociedade que interferem na construção intelectual e moral do indivíduo. “Tanto o homem interfere na natureza, como o contrário”, justificou Rosita.

Por alegar que é preciso expor o caminho, para depois mostrar as pedras e buracos que nele se encontra, a palestra propôs-se a contemplar o percurso histórico das instituições escolares, os modelos de ensino e a educação na modernidade. Rosita afirmou que as regras estabelecidas para educar “organizam” as pessoas, entretanto, elas engessam, automatizam e padronizam as ações individuais. Então, o desafio diário, tanto aos novos profissionais que se encontram na área de ensino, como aos estudantes que se predispõem a se tornarem ativos nas aulas, é encontrar um novo lugar do aluno, do mestre, da escola, da família e do psicólogo.

Embora imprevisível e desconfortável, como declarou Roberta, acostumar-se a novas regras, a diferentes papéis na sala de aula – onde o professor torna-se mediador e o aluno é requisitado a participar da construção do conhecimento –, é importante mudarmos a estância espacial e psicológica das instituições, apagar a velha ideia de professor na frente e alunos sentados copiando o que está escrito na lousa ou o errado pensamento de que educador tem a completa sabedoria e ninguém mais.

Os inscritos e ouvintes participaram ativamente. Criticaram as instituições que visam apenas uma alta porcentagem de aprovação no vestibular, a aplicação somente pelos métodos de avaliação tradicionais e as explicações de conteúdo padronizadas, com atuação somente do professor, sem contribuição do estudante. Mesmo que a ideia de uma troca de informação esteja crescendo e se manifestando principalmente nas universidades, é preciso que não só quem participa desse ambiente acadêmico, como a sociedade como um todo, veja a necessidade de ir além do padrão e começar a se portar como sujeito da ação e, não, objeto.

*Texto de Camila MarceloLogo-Mundo Unifor

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