Intercâmbio acadêmico: estudar ou viajar?

A Universidade de Salamanca é um dos destinos para intercâmbio acadêmico mais procurados. /Foto: site quero morar fora


Quando se é jovem o sentimento de ter liberdade é maior do que em qualquer outra época da vida. Sair de baixo das asas dos pais, tentar se virar sozinho, pagar as contas, trabalhar, estudar… Esse é o sonho de muitos que estão nas universidades, por exemplo. O gosto da independência e a vontade de viajar livremente, conhecer pessoas do mundo inteiro, estar vivenciando culturas distintas, compreender o diferente e ter a oportunidade de estudar em um outro ambiente, sem falar na contribuição profissional que essa experiência pode proporcionar, são alguns dos fatores que levam inúmeros estudantes a fazer os intercâmbios acadêmicos.

Anualmente, milhares de estudantes brasileiros vão para o exterior pensando em estudar e também, porque não, curtir um pouco da liberdade, o que está incluído no pacote. Diante destes fatores, surgem as dúvidas: o que, realmente, leva um estudante universitário a fazer o intercâmbio acadêmico? Ele pretende aproveitar a estada no país estrangeiro só para estudar ou vai para curtir a liberdade e conhecer outras culturas? Ou, ainda, o curso é importante na decisão da escolha da universidade para a qual ir ou isso não tem muita importância?

De acordo com Higor Uchôa, estudante do curso de Comércio Exterior na Unifor e estagiário na vice-reitoria de extensão acadêmica, a maioria dos alunos que pretendem fazer intercâmbio geralmente não escolhem o país ou a universidade visando o curso que estão fazendo. “Muitos dos alunos que vêm nos procurar já têm um país em mente para fazer o intercâmbio. Nós procuramos orientá-los para irem a um local onde possam ter o melhor aproveitamento do curso. Por exemplo, para os alunos do curso de Comércio Exterior, eu recomendo muito irem para a Ásia, a Coréia do Sul, porque, por mais que seja um país muito exótico, o mercado de comércio internacional na Ásia é muito grande, tem muito a crescer, mas os alunos dizem que a língua é difícil. Por mais que você vá falar inglês lá, os alunos têm medo”, afirma Higor. Ele diz que os maiores destinos dos alunos da Unifor são Portugal e Espanha por causa da proximidade com a língua e também pela facilidade na hora da seleção.

Para Elisianne Campos, jornalista formada na Unifor, o curso foi essencial para decidir o seu destino de intercâmbio.”Pensei, claro, em encontrar uma universidade que tivesse algum curso compatível com o meu, com grades curriculares semelhantes”, explica. Em um ano na Universidade de Nice, na França, Elisianne cursou 23 disciplinas. Ela afirma que 90% dos estudantes partem para o exterior pensando em festas e viagens, mas, para ela, a situação foi diferente. No caso dela, a escolha de um país europeu foi com maturidade e consciência suficientes, pois sabia que não estava fazendo uma viagem de férias, mas para um período de estudos e superar as dificuldades com as diferenças culturais e com a língua.

Elisianne Campos conseguiu conciliar estudos e viagens: cursou 23 disciplinas na França./ Foto: arquivo pessoal

As diferenças entre o ensino superior brasileiro e o francês foram surpreendentes para Elisianne. “Acho a grade curricular dos cursos europeus mais variada, multidisciplinar e atraente. No curso de Comunicação temos contato com estudos voltados ao Direito, ao Audiovisual e à Antropologia”, conta. Outra vantagem apontada por ela é que nas boas universidades européias, o estudante encontra pessoalmente professores, teóricos e pesquisadores que o aluno pode consultar nas bibliotecas de qualquer universidade, internet etc.

Tirshen Maia Martins, estudante de Direito na Unifor, ficou seis meses na Espanha. De acordo com Tirshen, a principal razão de ter ido para o país ibérico e ter escolhido a Universidade de Salamanca foi o idioma e a tradição da universidade no curso de Direito. Ele afirma que fez duas disciplinas além de um curso de língua espanhola e, no tempo livre, aproveitou para viajar pelas cidades da Espanha e por outros países da Europa. Diferente de Elisianne, Tirshen relata que há muitas semelhanças entre o ensino superior brasileiro e o espanhol. “O ensino, na universidade que estudei, é semelhante ao praticado na Unifor, mas a interação entre alunos e professores, entre os próprios alunos, e a relação com a universidade como um todo é mais ativa”.

O intercâmbio acadêmico pode ser uma experiência enriquecedora para qualquer pessoa, basta que ela saiba aproveitar a universidade, o país e o tempo livre que tiver com responsabilidade. É importante que o estudante pense no seu curso, procure visitar os sites das universidades de interesse, assim como pesquisar as disciplinas que são disponibilizadas na grade curricular antes de decidir o país e a instituição de ensino superior pois o estudo é o principal propósito do intercâmbio.

Serviço
Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária
Assessoria para Assuntos Internacionais
(1 piso – prédio da Reitoria)
 
Horário de atendimento: das 8h às 11h e das 14h às 17h
E-mail: intercambio@unifor.br/ international@unifor.br
Fone: + 55 (85) 34773127/ 34773253
Fax: + 55 (85) 34773064

Texto de Aline Veras

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