Peça “Açaí e Dedos” questiona o egocentrismo contemporâneo

Oportunidade pra refletir sobre o individualismo e entreter-se.  A peça “Açaí e Dedos” estará até domingo, 1° de maio, em Fortaleza, no Teatro Celina Queiroz. Ontem, 29 de abril, o elenco concedeu entrevista ao Labjor.

Ao contrário dos personagens, os atores da peça demonstram grande proximidade. Na foto (da esq. para a dir.) Marcelo Capobiango, Babu Santana e Sheron Menezes./ Fotos: Alan Lima

Ainda sem maquiagem, Sheron Menezes apareceu, mas pôs as mãos sobre o rosto e disse que só ia passar batom e já voltava. Bonita, nem precisava. Em seguida, o restante do elenco sentou-se sobre os bancos do cenário e conversaram conosco.

Carla Faour é a roteirista e tem participação no espetáculo. Afirma que o assunto abordado em Açaí e Dedos, o individualismo e a comunicação humana, é bem intrigante. “Acho que é um tema pertinente. Ele precisa ser discutido”.

Autora de outra peça chamada ‘A arte de escutar’, em que o mesmo tópico é levado ao palco, diz que só percebeu a relação das obras, quando já escritas. “Uma coisa leva à outra. É uma continuidade, mas de outra forma e sob outro aspecto. É um tema recorrente”.

Sheron revela que a plateia ri das cenas, mas porque fica nervosa, identifica-se com os personagens e suas atitudes tomadas pelo egocentrismo. “Fazendo a peça, refleti e acho que se deve  ouvir mais. Devemos ser interessados pelo outro, prestarmos mais atenção no próximo. Temos uma boca e dois ouvidos, como diz o ditado”.

Em papéis anteriores de telenovelas e do cinema, Babu Santana, muitas vezes, atuou como bandido. Perguntado sobre isso, Sheron antecipou-se e fez rir a todos do elenco . “Por causa da cara dele, ué!”. Ele retrucou, ainda rindo: “Os marginais têm de ser bons atores”.

Mesmo adorando as telas, confessou que prefere a liberdade que o teatro dá. Há uma maior abrangência de personagens. “No teatro é onde tenho essa diversidade na hora de compor o personagem. Ninguém quer ficar fazendo a mesma linha. Foi no palco que tive a oportunidade de ir do clássico ao contemporâneo”.   São mais de 30 peças ao longo da carreira de Babu, e poucas pessoas conhecem essa vertente da trajetória dele como ator.

Ensinando o caminho das pedras

 

Carla Faour e Thaís Garayp

Atriz, autora e diretora teatral, Carla Faour, conhece os problemas pelos quais os atores iniciantes passam. Ela orienta: “Primeiro, encontre sua turma. Tem de ser quem você tem afinidade artística. Encontre pessoas que querem comunicar o que você também quer. Afinal, ator também é instrumento de comunicação. Segundo, tenha iniciativa, produza-se, junte-se. Tente ter as rédeas da sua profissão e não fique só dependendo de convites. Crie suas oportunidades”.

Além do trio,Thais Garayp e Marcelo Capobiango, que substitui Ivan de Almeida na passagem da peça por Fortaleza, integram o elenco do drama.

Serviço
Açaí e Dedos
Dias: 30 de abril e 1º de maio de 2011
Sessões: sábado, às 21h; domingo, às 19h
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Informações: 3477-3033 / 3477-3175
Classificação etária: 14 anos

Texto de Camila Holanda

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