Carol Castro vive Dona Flor no palco do Celina

Assistida por mais de 600 mil pessoas, ao longo dos quase quatro anos de peça, “Dona Flor e seus dois maridos” esteve em cartaz nesse fim de semana no Teatro Celina Queiroz, da Universidade de Fortaleza. Ambientado na Bahia dos anos 1940, o espetáculo conta a história de Flor, uma professora de culinária que vê seu amor divido entre o devasso e irreverente Vadinho, e o metódico e controlado farmacêutico Theodoro Madureira.

A peça começa com a morte de Vadinho (vivido por Marcelo Faria) em pleno sábado de Carnaval. Em seu velório os amigos relembram as farras, os jogos e as amantes do falecido. Viúva, Flor sente saudades do marido, mas se encanta com Theodoro (encenado por Duda Ribeiro), um respeitado solteirão que lhe propõe casamento. Seu segundo marido lhe traz a paz e a tranquilidade do matrimônio. A rotina de um ano de casamento com o farmacêutico faz com que Flor veja Vadinho em sua cama, que retorna invisível a todos, menos à sua amada. A partir daí, Flor sente-se dividida entre ele e seu atual esposo. Em seu dilema entre a surpreendente vida com Vadinho e a metódica rotina com Theodoro, Flor passa a viver uma vida conjugal com os dois.

 

Foto: Thalyta Martins

Abaixo, confira a entrevista com a protagonista do espetáculo, ao Blog do Labjor.

1.A história de “Dona Flor e seus dois maridos” já foi retratada no cinema em 1977, na televisão em 1988, através de uma minissérie. E vocês estão em cartaz desde outubro de 2007: como você encara a possibilidade de encenar essa história há quase quatro anos e ainda assim, mantê-la atrativa?

Eu sempre digo que o nosso grande trunfo é o texto de Jorge Amado. “Dona Flor e seus dois maridos” foi escrita em 1967, mas se passa nos anos 40; apesar de ser uma história de época, ela está muito à frente do seu tempo. As pessoas conhecem, as mulheres se identificam com a Flor, pois querem achar esse homem ideal. E Jorge Amado brinca fazendo com que a Flor só se torne completa com o segundo marido, que é o provedor, o cavalheiro; e o fantasma do primeiro, que é o verdadeiro amante, quem a satisfaz. Então, eu diria que é uma grande honra, um grande prazer e me proporcionou um crescimento pessoal e profissional dar vida a Flor. E ficar tanto tempo vivendo um personagem no teatro é bem raro, eu me sinto privilegiada.

2.Em 2009, você deixou a peça para se dedicar a outros projetos. Hoje, de volta ao elenco, como você analisa as duas fases em que você participou?

Tem um antes e depois, sem duvida. Eu diria que teve um amadurecimento maior. O fato de ter feito outros trabalhos não só no teatro, como na TV e no cinema, me fez voltar um pouco mais preparada. E o grande barato é esse: você estar sempre se reinventando, mesmo que você esteja fazendo um personagem há tanto tempo; o ideal é que você nunca caia no comodismo. Eu sinto que essa parada trouxe um frescor para a Flor, uma visão diferente. Até pelo fato de eu ter assistido o espetáculo de fora, o que foi bem interessante e ao mesmo tempo estranho por ver uma peça que eu fiz por dois anos, ajudei a criar… Quando voltei, eu falei que ia fazer umas coisas bem diferentes para ver o que acontecia.

3. A produção de peças teatrais muitas vezes possui custo elevado e em grande parte a sua realização é possível através da iniciativa privada. Isso faz com que as apresentações fiquem restritas ao eixo Rio-São Paulo. O que você acha da incentiva do projeto Grandes Espetáculos, em trazer essas peças a Fortaleza?

Acho genial! Muitas universidades deveriam seguir esse exemplo, principalmente por conta do preço popular. É fundamental trazer arte e cultura para os alunos, seja de onde for. Então tiro realmente o chapéu para a atitude da Unifor e adoraria que outras universidades do Brasil pudessem fazer isso.

Dona Flor e seus dois maridos” venceu as categorias Melhor Ator – Marcelo Faria, Melhor Diretor – Pedro Vasconcelos e Melhor Espetáculo, do Prêmio Qualidade Brasil e foi indicado, em 2008, ao Prêmio Shell de Teatro nas categorias de Melhor Ator – Marcelo Faria e Melhor Diretor – Pedro Vasconcelos.

Texto de Bruno Barbosa

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