A indústria do São João

 

Foto: Grapel – Associação Cultural Rita Costa

Foi numa noite igual a esta, que tu me deste o teu coração, o céu estava em festa, por que era noite de São João. Todos os anos o Ceará se transforma no estado da Festa Junina. A paixão, o desejo a tradição é o que move o povo nesse período junino. Mas por trás de tanta beleza, criatividade e animação das apresentações existem toda uma indústria que organiza todos os detalhes para que a cada ano o São João seja mais bonito.

O trabalho dos bastidores começa bem antes das luzes brilharem nos palcos. Em meados de fevereiro é onde começa toda a organização, reuniões para decidir desde o tema a ser homenageado, ao figurino, os músicos que irão tocar nas apresentações e os festivais que pretendem participar.

A ex brincante e coordenadora do escritório de cultura popular, Marcela Sampaio, disse que o Ceará é o estado que mais produz quadrilhas e festivais no Brasil. “Pra se ter uma idéia, 70% dos bairros de Fortaleza possuem quadrilhas e festivais. E em todo o estado é contabilizada uma média de um pouco mais de 450 grupos juninos” diz com muita satisfação.

A quadrilha Arraia da Liberdade, da cidade de Redenção, tem sem grupo composto por 20 casais. O grupo já se apresenta há 10 anos por todo o estado do Ceará, espalhando alegria e enriquecendo a cultura junina no estado.

O organizador, João Victor disse que é muito trabalhoso colocar uma quadrilha pra dançar. “Alem do cansaço, tem também a dificuldade em conseguir apoio financeiro”. Victor completo dizendo que apesar de todas as dificuldades, é recompensador vê as pessoas dançando com amor. “Eu não me vejo sem esse grupo, já fazem parte da minha vida” disse com muita satisfação.

O cenário dos grupos juninos no estado tem se transformado bastante. A principal mudança foi nas roupas, que antes custavam bem barato, em torno de 50 reais se tinha uma roupa de quadrilha, hoje é preciso desembolsar bem mais. O vestido das brincantes que não são destaque sai em média de 350 reais, e tudo isso custeado pelo próprio brincante. Os vestidos se elitizaram e passaram da chita, para o cetim, seda, e muito brilho. Uma noiva de quadrilha, gasta em um vestido que se aproxima do vestido de uma noiva da vida real, em torno de 4 mil reais. “Várias quadrilhas buscaram inspirações de vestidos luxuosos em outras regiões. Mas essas quadrilhas elitizadas, são muito mecânicas, tudo muito na hora certa” diz Gilberto.

Algumas quadrilhas chegam à gastar 200 mil reais ou mais durante todo o período junino. “Quadrilhas que chegam a esse patamar, não se sustentam por muito tempo, pois fica difícil conseguir apoio” afirma Gilberto, ex-presidente de um dos festivais mais importantes do estado, o Ceará Junino.

Apesar de tantas mudanças, o tradicional ainda possui força. Diferente da mecanização do moderno, a quadrilha temática/tradicional é caracterizada pela emoção que os brincantes passam, sem esquecer das roupas simples de chita e o chapéu de couro.

Tradicional, elitisado, não importa as mudanças que façam no estilo, o que vale é curtir o momento com amor, e celebrar a cultura.

Texto de Tainá Nobre, Jorge Pedro e Carlos Augusto

*Esta reportagem foi produzida pelos alunos da disciplina Oficina em Jornalismo/Ciberjornalismo do semestre 2011.1

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s