Médicos treinam com atores

Foto ilustrativa retirada do site unifor.br/teatrocelinaqueiroz

Pacientes que atuam durante a consulta? Parece estranho, mas é apenas um projeto para os alunos do Curso de Medicina da Unifor treinarem suas habilidades antes de atuar no palco da vida real. Os pacientes-atores são estudantes de outros cursos da própria Universidade. Eles passam por uma seleção e por um treinamento no qual têm oficinas de teatro e expressão corporal.

Sônia Leite, professora idealizadora do projeto, conta como ele ocorre na prática. “Os atores recebem um script contendo simulações de doenças que vão desde uma simples dor de cabeça a complicações mais graves, como a pancreatite (inflamação no pâncreas). Também recebem orientações dos professores sobre a aplicação da prática na sala”.

Depois dessas etapas é hora de entrar em ação. Os pacientes-atores participam das aulas dos estudantes de medicina por meio de simulações de consulta. Sempre para treinar a habilidade de comunicação do futuro médico com os pacientes. E parece que a iniciativa tem dado certo. “Ele é essencial e sua principal vantagem é a melhora do desempenho profissional, sem oferecer erros e desconfortos aos pacientes”, elogia a acadêmica do segundo semestre Lívia Magalhães.

Para se aproximar ainda mais da realidade, às vezes mais de um paciente-ator participa da prática. Um exemplo de cena: a mãe que acompanha a filha em uma consulta. Assim o estudante de medicina treina a interação com os familiares da pessoa enferma. O projeto também os leva a treinar a comunicação de doença grave ou até mesmo óbito.

O paciente-ator Hilário Rodrigues, participante desde a primeira turma do projeto, formada em 2010.1, assume: “nós não substituímos o paciente real, nossa função é complementar o aprendizado, antecipando as práticas clínicas dos futuros médicos”.

A utilização deste recurso educacional tem registro nas décadas de 1960 e 1970, por médicos britânicos. No Brasil, a faculdade de medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) foi quem iniciou a metodologia, em 1990. Até hoje a prática permanece. A professora Sônia revela que o grupo de professores da medicina da Unifor se inspirou na FMRP-USP.

Texto de Gizela Farias

Orientação: Jocélio Leal

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