Cineclube Unifor impulsiona debate sobre caos no trânsito

“Acontecimento casual, fortuito, inesperado”. Esta é a definição do dicionário Houaiss para o significado de “acidente”. Os de trânsito, no Brasil, causam 100 mil mortes por dia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) . O fato de ser algo corriqueiro e frequente indica que o conceito não se aplica à realidade das ruas. Este foi um dos argumentos usados pelo vereador João Alfredo, do PSOL, para exemplificar como a sociedade está a sofrer com o excesso de carros nas ruas.

A pauta foi discutida no Cineclube Unifor desta quinta-feira (22), Dia mundial sem carro. O filme “Sociedade do automóvel” aponta a insustentabilidade do modelo de transporte que nossa cultura oferece. Com diferentes pontos de vista, os debatedores João Alfredo Teles Melo, Oirton Júnior (coordenador do curso de Engenharia ambiental da Unifor) e Janayde Gonçalves (professora do curso de Jornalismo), concordaram que o atual sistema está em processo de falência. Se o carro surgiu como um recurso superador de barreiras, hoje se transformou na barreira em si.

Os centros urbanos precisam, com urgência, de políticas públicas que resgatem a qualidade de vida consumida pela poluição, segregação e, inclusive, perda de espaço público,causada pelo excesso de veículos. Cerca de 20 % das pessoas usam 80% do espaço.

Foto: Iago Ribeiro

Também foi citado no debate que há exemplos de soluções eficazes em cidades europeias e japonesas. Como ciclovias apropriadas, aluguel de bicicletas e transporte público de qualidade.

Por que ter um carro?

O filme também tocou no significado social que há em possuir um automóvel. Símbolo de status e poder, há muito tempo o valor do carro não é proporcional apenas à sua utilidade. Na verdade, essa mudança se aplica a todos os bens materiais, quando não às pessoas. A segregação entra é aí. Não só no momento em que o motorista fecha os vidros para a realidade do mundo a sua volta. Mas quando indivíduos são vistos como melhores ou piores em função da marca do carro que têm, e se o possuem ou não.

Iniciativas como a Bicicletada, movimento que reúne adeptos em vários estados brasileiros pedindo mais espaço para os ciclistas, tentam quebrar esse estigma e sugerir mais cidadania e saúde à nossa sociedade. Embora no site da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) tenha a afirmação “A preservação da vida é a prioridade do gerenciamento do trânsito em Fortaleza“, parece que na prática isso não acontece. No debate foi pontuado como é difícil obter o apoio das autoridades nesse ínterim. Enquanto não se pode contar com essa contribuição, cabe a nós tomarmos a dianteira na busca por mais qualidade de vida.

Texto: Manoela Cavalcanti
(manu_satine@hotmail.com)

Orientação: Profa. Janayde Gonçalves

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