De fã para fã: fanfictions

Todo fã de verdade adoraria interferir no enredo de seu livro favorito ou até mesmo, para os mais apaixonados, viver um romance com o ator dos seus sonhos. Como na realidade isso parece distante, existe um grupo enorme de pessoas que se dedicam a realizar esse desejo por meio de textos. São as famosas fanfics: histórias de fãs para fãs, publicadas em sites específicos sobre o assunto. A atividade é levada bastante a sério por quem participa, tanto que tem gente que já publicou livro baseado em uma fanfic.

Sidney Sheldon e Tilly Bagshawe

O assunto parece bastante novo, mas não é. Desde 1967, leitores, alucinados pelo contexto e personagens de determinadas obras literárias, passaram a criar textos baseados nas obras originais, modificando o desenrolar da história ou até mesmo dando-lhe um novo final. O livro “A Senhora do Jogo”, escrito por Tilly Bagshawe, por exemplo, é uma continuação da obra “O reverso da medalha”, do famoso escritor e roteirista norte-americano Sidney Sheldon. Sendo assim, a prática já existe há um bom tempo, porém foi com a internet que as fanfictions conquistaram público e espaço definido.

Babi Dewet / Foto: Arquivo pessoal

São diversos sites voltados especificamente para publicação desse tipo de “literatura”. Cada um com sua própria política de privacidade e regras. Tornar-se um escritor de fanfiction é muito fácil, basta escolher um tema (pode ser banda, livro, ator, filme etc.), o site de publicação e – dependendo das normas – um revisor para mandar o texto. Sim, existem revisores, leitores mesmo, que, porém, submeteram-se a um teste de português, a fim de avaliar os textos dos escritores. Além da revisão, há sites que disponibilizam caixa de comentários a fim de que leitores enviem críticas e elogios. Sem falar dos concursos promovidos como:  melhor fanfic do ano ou escritor.

Livro “Sábado à Noite” de Babi Dewet

A brincadeira é séria. Tanto que Babi Dewet, 24 anos, lançou seu primeiro livro, “Sábado à Noite”, baseado na fanfic de sua autoria, que leva o mesmo nome. A jovem escritora já participou de duas bienais do livro. A primeira em São Paulo, no ano passado, e a última, no Rio de Janeiro, em setembro. “Eu sempre li muita fanfic. De passar horas sem sair do computador, virar a noite e ir para o colégio morrendo de sono. Tipo como fazemos com os livros! Então, as fanfics de Harry Potter, na época, incluíam os leitores na história, que eram fãs, e isso acabou sendo uma forma de colocar para fora as ideias”, explica.

Babi nunca havia imaginado a repercussão que sua obra causaria, muito menos que um dia se tornaria livro, no entanto os leitores gostaram tanto de sua história, que sugeriram a jovem levar o texto dos sites para os livros. “Não foi muito difícil (transformar fanfic em livro). Eu tinha muito claro como eu queria os personagens, porque uma vez criados, eles têm vida. A parte mais complicada, para mim, foi descrever melhor as cenas e situações, coisa que em fanfic não tem muita necessidade”. No momento, Babi ainda procura uma editora para seu livro mas, no entanto, não descarta os novos projetos: “quero publicar as outras duas partes da história.”
Texto: Renata Frota

(reh_frota@hotmail.com)

Orientação: Profa. Adriana Santiago

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