[Artigo] É feriado nas universidades, mas não há motivo para festa

15 de outubro, dia do professor/Foto: Thalyta Martins

A data, além de motivo de celebração, deve servir para a reflexão sobre a falta de atenção e respeito dedicados à classe pelos órgãos governamentais.

Tornou-se um desafio ser professor no Brasil. A remuneração baixa faz com que os profissionais tenham que se virar para viver bem, dividindo seu tempo entre várias escolas. A educação em segundo plano deixa os professores  desmotivados para ensinar e assim os alunos não têm interesse em aprender. O professor do curso de Jornalismo da Unifor, Alejandro Sepúlveda concorda que  os professores não recebem seu devido valor:

” Creio que o sentimento geral dos professores é que o profissional é pouco valorizado. Não é reconhecido e não é dada a ele a devida importância que deveria, diante dos grandes problemas que o país tem na educação”.

Mas ser mestre tem seu lado bom. De acordo com Alejandro, poder contribuir com formação, não só de profissionais, mas de cidadãos, é a maior realização que se ter na profissão. Para Bruno Costa, que professor de História, formar as novas gerações é o seu dever maior. ”Ter a oportunidade de mudar a realidade de uma criança é muito gratificante. Além de você poder ser um agente ativo na transformação social, pode também estimular o aluno a criar senso crítico, autonomia de pensamento e dessa forma fazer com que ele  seja o protagonista da sua própria história”.

No Ceará

O momento desses profissionais no Ceará é de união. Os professores das escolas Estaduais ficaram em greve por 63 dias. As reivindicações eram simples: que fosse respeitado o piso nacional para a categoria, a reserva de um terço da carga horária para atividades extra-classe e um plano de progressão na carreira que estimule a qualificação dos profissionais. Mas o governo não acatou e demorou a negociar. Nem quando a Justiça determinou multa de R$ 10 mil por dia, a greve acabou. O projeto de lei para o novo salário foi votado em caráter de urgência e o piso foi respeitado, ainda assim cenas lastimáveis foram registradas na Assembleia Legislativa, onde professores e policias entraram em conflito.

No dia nove de outubro, a classe em questão decidiu suspender a greve depois que o governo prometeu perdoar a dívida que já se acumulava em mais de R$300 mil reais e não descontar dos salários dos professores os dias parados. Hoje,  a mobilização está suspensa, as aulas voltaram e os colégios estão cheios de alunos de novo. Mas os professores não hesitam em dizer que se as melhorias prometidas não forem cumpridas, a greve voltará.

Curiosidade
Em 15 de outubro de 1827, Dom Pedro I baixou um Decreto Imperial que buscava implementar o ”ensino elementar no Brasil” em todas as cidades, vilas e lugarejos. Deveria ser ensinado a todos ler, escrever e fazer as contas básicas de matemática. Talvez se o decreto tivesse sido cumprido, a educação no Brasil não estivesse tão atrasada.

Apenas em 1947 a data foi comemorada como um dia para o professor. Em São Paulo, o corpo docente da Escola Caetaninho resolveu tirar um dia de folga para evitar a estafa. O dia escolhido foi 15 de outubro. A mobilização foi um sucesso e em 1963, o Decreto Federal 52.682 oficializou a data como dia do professor e ainda definiu a essência e a razão do feriado: “Para comemorar condignamente o Dia do Professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo participar os alunos e as famílias”.

Texto: Juliano de Medeiros (julianomteixeira@hotmail.com)
Orientação: Profa. Janayde Gonçalves

Um comentário em “[Artigo] É feriado nas universidades, mas não há motivo para festa

  1. Como você mesmo pode comprovar em sua matéria, Juliano, o descaso com a educação vem de longe. E isso pode ser facilmente constatado com uma simples conta matemática: de 1500 (ano do descobrimento do Brasil) para 1827 (ano em que Dom Pedro I baixou o um Decreto Imperial, com o objetivo de implementer o ‘ensino elementar do Brasil’), passaram-se exatos 327 anos. E olhe que o intuito do Imperador era só ensinar a ler, escrever e fazer as contas básicas de matemática, as chamadas “quatro operações de conta”, como se diz no interior do Estado. Não é à toa que temos um índice de analfabetismo tão alto e nenhuma esperança de revertê-lo, se o Poder Público continuar desprestigiando os professores, em detrimento do povo brasileiro. É preciso que alguém convença a esses governantes que sem educação não se chega a lugar nenhum!
    Parabéns, Juliano, pela matéria e parabéns a todos os professores, pelo seu dia!
    Cléria Saldanha

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