Mercado e arte são tema de palestra

Professor Pablo Manyé, Bruno Pedrosa, Vice-Reitor de Extensão Randal Martins e Maurizio Vanni/ Fotos: Rachel Castelo

Tão intensa quanto seus trejeitos – típicos do que se espera da expansividade italiana – foi a frase final do curador italiano Maurizio Vanni: “A Arte é como fazer amor: instintiva”. Disse isto em italiano e solicitou a tradução ao artista Bruno Pedrosa, autor da mostra Presságios, que terá abertura nesta quinta-feira (20). Corado e entre os risos generalizados da plateia, Pedrosa eximiu-se da “missão”, resumindo-a ao necessário: “Basta dizer que arte é instintiva”. Convenientemente, o dialeto italiano é bem parecido com o português, e as poucas lacunas do discurso foram traduzidas por largos gestos.

Maurizio Vanni

O argumento para a fala de Vanni era que a opção pela profissão de artista deve aliar sensibilidade e seriedade. “A arte está dentro de você. É coragem, paixão emotiva. Não posso esquecer que a arte é emoção. Mas também é produção, ocupação, trabalho”, disse. Pedrosa deu o testemunho de alguém que vive de arte e acredita que a profissão de artista é sim, dificílima, que é preciso ter perseverança. E mais do que em outras profissões, esta é uma característica vital. “Sou de uma família de vaqueiros e, até os 12 anos, pensava seriamente em seguir a profissão da família. Depois comecei a pensar em ser artista”. Pedrosa contou como foi negativa a reação inicial de seu pai, mas que depois, ele lhe fez uma proposta: “Me daria uma pensão mensal para o estudo. Mas no fim de 5 anos eu teria que me sustentar para o resto da vida”. Com orgulho, Pedrosa contou que há 43 anos vive de arte. E que, apesar da importância de se preocupar com o mercado, não é um artista de “tendências”.

A palestra contou também com a participação do vice-reitor, Randal Martins, e do professor de Belas Artes e curador da XVI Unifor Plástica, Pablo Manyé. O tema, “Arte Contemporânea: entre a criatividade, os museus e o mercado”, que relaciona o fazer artístico à produção de consumo, ainda hoje é permeado por certo constrangimento por muitos artistas. Pedrosa criticou essa visão: “Não é imoral falar de mercado, preços e vendas. O artista é um profissional como outro qualquer e deve viver bem de seu trabalho”.

Bruno Pedrosa/ Foto: Rachel Castelo

O centro da discussão foi que deve haver um equilíbrio entre sensibilidade e profissionalismo com relação à visão de mercado. Manyé explicou qual é a função do curador e como são selecionadas as obras que compõem uma exposição, como a Unifor Plástica. “Não significa que as pessoas que ficam de fora sejam ruins, mas sua obra pode não se adequar à proposta”. Segundo o professor, curador e artista devem trabalhar em parceria. “Existe uma discordância, uma dúvida, entre as diferentes áreas artísticas”. E o melhor seria trabalharem todos em cooperação e confiança mútua, construindo uma “fidelidade de mercado”.

Os palestrantes chamaram a atenção para como a profissão dos artistas têm que estar ligada ao futuro, pois eles estão sempre à frente, embora a economia ainda os veja com 50 anos atrás. Por isso, é necessário que os artistas tenham uma visão profissional de si mesmos e da sua obra.

O principal insight da discussão foi que, hoje, a arte guarda muitas possibilidades. Mas deve-se viver completamente imersa nisso, absorvendo completamente tudo em sua volta.

Texto: Manoela Cavalcanti
(manu_satine@hotmail.com)

Orientação: Prof. Alejandro Sepúlveda

Um comentário em “Mercado e arte são tema de palestra

  1. Quando Bruno Pedrosa desenvolve um raciocinio materialista, com o qual concordo, ele evidencia a necessidade imperiosa da valorização do fruto intelecto. Parabens pela matéria.

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