Moda e natureza de mãos dadas

Afinal, o que é isso?

A moda, na sua essência, cria peças e tendências. Mas o que anda acontecendo hoje no mundo da moda é sua união com a sustentabilidade. É com lixo reaproveitado, reciclando produtos e recriando peças que não tinham mais usos, que estilistas e estudantes de moda criam peças sustentáveis. E você, sabe o que isso significa sustentabilidade? Sustentabilidade está relacionada com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana. Em outras palavras, é viver hoje, preservando e pensando no futuro.

E quem faz isso?

O grupo Lixúria, de estudantes do curso de Estilismo e Moda da UFC, transforma materiais recicláveis que iam para o lixo em arte. O grupo tem seis integrantes, Natássia Maia, Karine Matos, Mayrla Canasfístola, Laura Nefitale e Meiriane Nascimento, que participaram do Concurso Novos Talentos do Dragão Fashion Brasil. O concurso pedia que os concorrentes elaborassem apenas duas peças com materiais recicláveis, mas as meninas fizeram todas as oito peças da coleção com o material. Elas encantaram o público, pois conseguiram levar luxo, brilho e muita criatividade ao desfile.

 

O nome do grupo, Lixúria, já chama atenção, pois é a identidade do que propõe, que é unir a beleza do luxo e o uso do lixo. Karine Matos, uma das integrantes, conta que pensaram primeiro no nome do grupo e só depois partiram para a criação. Com a identidade escolhida, as meninas começaram a pensar nos materiais que seriam usados para a produção das peças, que tiveram como inspiração as cortesãs, que eram símbolo de beleza, sedução e luxo. Tanto que, nas peças, a inspiração é bastante forte, abusando de corset, decotes e saias. Os materiais mais usados pelo grupo foram latinhas de refrigerante, tampas de garrafas, garrafas pet, aros de bicicleta, caixas de leite longa vida, dentre outros. “A nossa ideia era fazer com que as pessoas não vissem material reciclado na passarela, apenas saber que eram matérias recicláveis. Só para imaginarem como foi feito” , relata Natássia Maia, uma das integrantes.

As estilistas não utilizaram peças de lixões. “Não pegamos material de nenhum aterro, apenas retiramos das ruas, proximidade de bares e até pedimos a amigos e conhecidos que juntassem esses materiais para nós”, disse Mayrla Canafístula. Elas também contaram com a ajuda de um artista plástico para ajudar na execução das peças, já que elas não sabiam modelar os alumínios. As meninas cuidaram de cada detalhe e trabalharam juntas na realização da coleção.

Na criação, Karine Matos conta que o grupo trabalhou junto em todo o processo, cada peça, cada detalhe e cada material foi decidido pelas seis. Elas utilizaram alumínio e as cores dourado, ouro velho e tons metálicos para dar identidade à coleção. “No início pensamos em trabalhar com o ferro, porém, lembramos que ele seria muito difícil de trabalhar devido ao peso, então, decidimos trocar pelo alumínio, para dar mais movimento e leveza à nossa coleção”, revelou Natássia. Elas fizeram corset de paetê com pequenos pedaços de garrafas pet; saias com aros de bicicleta, chapas e fios de alumínio; corset também de fios de alumínio; aneis de colher;  e buquê de garfos velhos e arames de cadernos. É de encher os olhos a criatividade e a disposição das garotas, pois todas as peças são artesanais e com um alto nível de dificuldade para serem feitos.

O grupo contou com ajuda e colaboração da UFC para a realização desse trabalho. “Queríamos agradecer o apoio da universidade, dos professores que nos orientaram nesse trabalho, ao PRAE, aos alunos que nos ajudaram, até mesmo costurando algumas peças, enfim, a todos”. Agradece Natássia, que diz que sem apoio talvez elas não tivessem conseguido realizar esse projeto. O grupo, além de trabalhar com materias recicláveis, também pensa na sustentabilidade da moda.

“Nós, como estudantes, somos ‘obrigados’ a repensar o futuro, a partir das peças que estão sendo criadas. Pensando para onde ela vai e o que vai acontecer com ela. Então, a gente hoje aprende isso na faculdade e faz parte da criação, sim. Isso incomodou a gente e fez nosso grupo criar uma coleção totalmente sustentável!”, comemora Karine. Natássila Maia completa dizendo que “isso é uma obrigação. Nós que somos design, somos formadores de opinião e temos que inserir na nossa criação uma atitude sustentável, para que possamos passar para a sociedade o que pensamos”.

Confira, na íntegra, a entrevista com as meninas do grupo Lixúria:

https://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F28289368&Entrevista Grupo Lixuria by Taís Mont’Alverne

Para muitos a sustentabilidade está diretamente relacionada com o meio ambiente e, se pararmos para pensar, é ele quem mais preocupa. As fontes renováveis estão cada vez mais esgarçadas, as florestas são desmatadas a cada minuto, a natureza grita por socorro.

Não é de hoje que as empresas tentam encontrar formas de produzir moda sustentável. Ao mesmo tempo em que buscam meios que reduzam a agressão ao meio-ambiente, buscam produzir peças sustentáveis. Mas o que pouca gente sabe é que a onda ”ecofashion” vem tomando espaço no cenário nacional e até internacional. Não basta só produzir as peças que são tendências, tem que respeitar o meio-ambiente. A produção de roupas e acessórios podem ser feitas com diversas alternativas sustentáveis, o exemplo mais famoso disso é a utilização das garrafinhas pet, que podem ser transformadas em tecido, além dos pneus para produção de calçados e da madeira de reflorestamento para a produção de bijuterias.

Moda e sustentabilidade têm tudo a ver. O primeiro passo é pensar em todo o processo da produção da indústria da moda, desde a utilização de materiais orgânicos e recicláveis, como na redução de gás carbônico.

Você sabia…

# Que para se confeccionar um blusa de algodão de 250 gramas, são utilizados 160 gramas de agrotóxicos que são despejados em rios?

# Que para que uma calça jeans esteja pronta, no seu processo de fabricação são utilizadas as mesmas quantidades de água que uma pessoa precisa para viver durante 1 ano?

# Que cerca de 8 mil tipos de produtos químicos são usados para a transformação de matéria-prima bruta em tecidos e que muitos desses produtos provocam danos irreversíveis à humanidade e ao meio ambiente?

# Que a produção de couro para roupas, bolsas e sapatos está entre as que mais poluem o meio ambiente? Isso porque, para amaciar este material, são usadas toneladas e mais toneladas de sal, entre outros produtos. Esse sal é dissolvido em água, que vai parar no solo. Anos e anos de produção provocam o acúmulo de água salgada em regiões onde o sal não é parte do ecossistema.

Focados nisso, muitos responsáveis pelo mundo da moda resolveram pensar em uma moda sustentável. Afinal, segundo o site FashioNYC, quase 100% dos tecidos existentes são recicláveis e a indústria que faz essa reciclagem é capaz de reaproveitar mais de 90% das roupas descartadas. E isso é feito sem gerar subprodutos nocivos ao meio ambiente.

Nada é velho, tudo se transforma!

Outra alternativa agradável e caseira é a técnica upcycling – valorização do ciclo, que pode ser feita através da customização de roupas. Ou seja, pegar aquela calça velha e transformar em um short, tingir uma camisa que faz tempo que você não tira do armário, pregar botões, aplicar paetês. Tudo isso reduz o custo e ainda fica a sua cara! Mas não é só em casa que se pode encontrar moda sustentável. As grandes passarelas já inauguraram essa tendência eco-friendly por estilistas conceituados, como Ronaldo Fraga e Alexandre Herchcovitch. Giorgio Armani inovou ao trazer uma coleção de jeans orgânico e o estilista Oscar Metsavaht, da marca Osklen, trouxe a última coleção  de algodão orgânico, sem uso de agrotóxicos. Essa recente preocupação dos estilistas em produzir material sustentável vem das exigências dos próprios consumidores, pois preferem a moda que não agride o planeta.

Texto: Ravelly Marques e Taís Mont’Alverne
Orientação: Profa. Adriana Santiago e Profa. Joana Dutra

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