Arte do instantâneo

Foto: Divulgação
 
Inspiração para músicas, filmes, livros e até sambaenredo, a fotografia desperta paixão e está cada vez mais presente no nosso cotidiano. Muito além de uma reprodução por meio de exposição luminosa, ela se tornou uma arte, a arte de eternizar o momento, uma arte instantânea e natural, sem truques e única. Apesar dessa singularidade, desde o momento do clique, a fotografia possui vários significados, um para cada olhar ou momento.
 
Antes restrita a um público reduzido, no século XXI as máquinas fotográficas e, consequentemente, as fotos, multiplicaram-se, contribuindo para a popularização da “arte do instantâneo”. Atualmente, é irreal pensar que uma pessoa não conviva diariamente com uma câmera. Hoje, ela cabe no bolso ou dentro de um telefone celular.
 
Um dos primeiros instintos dos pais, depois de pôr um filho no mundo, é o de fotografá-lo; e dada a rapidez do crescimento torna-se necessário fotografá-lo com frequência, pois nada é mais transitório e irrecordável do que uma criança de seis meses, rapidamente apagada e substituída pela de oito meses e, depois, pela de um ano; e toda a perfeição que aos olhos dos pais um filho de três anos pode ter atingido não é suficiente para impedir que suceda a ela, destruindo-a, a nova perfeição dos quatro, só restando o álbum fotográfico como lugar onde todas essas perfeições fugazes se salvam e se justapõem, cada uma aspirando a um absoluto próprio incomparável. Ítalo Calvino
 
É esta evolução que empolga o fotógrafo cearense Carlos Eugênio Rocha. “Claro que guardo a nostalgia das máquinas analógicas, mas me animo ao ver todos com a possibilidade de fotografar. É impressionante como surge material de qualidade partindo de câmeras que você nem imagina”. Contudo, o profissional vê uma disputa no mundo da fotografia. Uma vertente abole o avanço tecnológico, enquanto outra, na qual declaradamente faz parte, vê com entusiasmo a realidade atual.
 
Vida de fotógrafo
 
Fotógrafo Carlos Eugênio / Foto: Arquivo Pessoal
 

Carlos Eugênio nasceu em uma família apaixonada pela fotografia. Desde criança, seu contato com as câmeras, ainda gigantescas e pesadas para um garoto, aconteceu por meio de seu pai, que compartilha da profissão e serve como inspiração. “Nas mais remotas lembranças da minha infância, lembro de conviver diariamente com uma câmera. Meu pai, que até hoje trabalha no meio, é um apaixonado por fotografias e por fotografar, sendo assim acabava levando isso para casa. Lembro dele fotografando todos os momentos da minha vida, hoje chegou a vez das netas passarem por isso”, assegurou Carlos, que não esconde de onde surgiu sua paixão pela profissão: “Surgiu naturalmente. Não sei se está no meu DNA, se foi a presença constante da fotografia ou se a inspiração que tenho no meu pai. Mas ainda pequeno resolvi fazer isso e, também na infância, o acompanhava nos trabalhos”.
 
Após fotografar na rua, hoje, Carlos Eugênio possui uma produtora e encara outro dilema na profissão. Para alguns profissionais da área, há uma ideia de que fotógrafo é aquele que fotografa a realidade, que está nos becos da cidade. Entretanto, existem aqueles que vivem de fotografar grandes momentos, contudo, momentos pessoais, como casamento ou aniversário. O cearense, que já esteve dos dois lados, trata isso com naturalidade.“Já estive na rua e hoje estou nos buffet’s. Claro que há uma diferença entre as duas coisas, mas é tudo fotografia. Falam que devemos fotografar a realidade, mas nunca ninguém me provou que o que eu fotografo hoje é irreal e imaginário. São vertentes, uma podemos chamar de fotojornalismo, a outra é a simples arte de guardar o momento. Isso acontece com os textos, nem todos possuem conteúdo jornalístico, e nem por isso há uma guerra entre os profissionais da língua”.
Amante desta arte e com laço emocional e profissional, Carlos não esconde que tem dificuldade para definir o que é a fotografia e tudo o que ela representa, mas, ainda sim, com brilho nos olhos e enquanto a mente viaja pelas fases de sua vida, ele tenta.
“Fotografia é o que mais se aproxima de uma das melhores criações de Deus, a memória. É ela que o jovem casal de namorados beija quando vão dormir. É ela que torna a saudade menos dolorida para um pai distante do seu filho. É ela que vale mais que mil palavras. Para mim, representa a vida, foi assim que meu pai sustentou sua família e é assim que eu sustento a minha. Essa é a arte do instantâneo”.

 

Texto: Eduardo Buchholz
Orientação: Profas. Adriana Santiago e Joana Dultra

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