[Claquete] Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual

Foto do site: jenascapascustom.blogspot.com

Bom ou ruim, todo filme traz uma impressão, um ressoar de significados que ecoa na mente do espectador. E se existe um eco marcante em Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual, filme argentino de Gustavo Taretto, este eco é um ressoar da palavra “solidão”.

A produção se passa na capital argentina, mas apresenta um tema tão global, que poderia ser locado em qualquer outra metrópole. As populações envelhecem, as cidades inflam, e cada vez mais há um indivíduo para cada carro, um para cada minúsculo apartamento. Todos conectados e interativos em suas relações virtuais, mas isolados em suas “caixas de sapato” – que é como o longa se refere às quitinetes. Pode parecer um pouco batido, mas a narrativa ágil, recheada de detalhes simbólicos, imprime um estilo único e cativante. É neste universo que se desenvolve uma história de amor, leve e bem humorada, sem ser rasa como muitas comédias românticas. Que apesar dos desencontros, fala de “achados” únicos. O que não deixa de representar alguma ingenuidade e certa idealização do amor.

Para quem assistiu O Fabuloso Destino de Amélie Polain, Medianeras, premiado no Festival de Gramado e na Mostra Panorama do Festival de Berlim, compara-se na delicadeza e sutileza das minúcias apontadas pelo narrador e protagonista, Martin (Javier Drolas). As fobias sociais e um posicionamento de voyeurismo quanto à vida, também se assemelham entre os principais personagens de ambos os filmes. Mas a comparação termina aí. Em termos de estética, os dois têm muito estilo, mas são essencialmente distintos. Um elemento que Medianeras foca é a estrutura arquitetônica de Buenos Aires, que apesar de em tradução livre significar “bons ares”, enclausura a maioria de seus habitantes em pequenos apartamentos neurastênicos, de tão mal iluminados. “O que se pode dizer de uma cidade que dá as costas para seu rio?”, questiona Martin. Aliás, o próprio nome do filme refere-se a essa arquitetura: Medianeras são as fachadas laterais, os “fundos” de um prédio – paredes em que por regra não são permitidas janelas. A prisão que representa esses ambientes fechados é análoga com o isolamento social entre as pessoas. E talvez esteja aí a revelação essencial do filme: ao transgredir um pouquinho, quebrar um pedaço dessas paredes, é que se abre uma janela para liberdade.

Texto: Manoela Cavalcanti
(manu_satine@hotmail.com)
Orientação: Prof. Alejandro Sepúlveda 

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