[Foca Nessa] Memorial da Resistência: história de emoção e tensão durante a ditadura

Uma das celas do Memorial / Foto: Divulgação

O foco de hoje é um passeio pela história da luta pela democracia brasileira no Memorial da Resistência. Inaugurado em 2009, o Memorial está localizado em São Paulo, no prédio que, por mais de quarenta anos ( entre 1940 e 1983), abrigou o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops/Dops), um dos órgãos mais conhecidos pela repressão durante a ditadura militar. Por lá passaram muitos dos indivíduos considerados “subversivos” pelo Estado, entre eles:  Monteiro Lobato, Oswald de Andrade, Carlos Marighella, Wladimir Herzog e Luiz Inácio Lula da Silva.

A exposição dispõe de fotos, vídeos explicativos, linha do tempo  (que contextualiza as lutas no Brasil Republicano), além de locais e objetos que reconstituem as memórias dos presos e funcionários do departamento. Foram reconstituídas as celas, onde nas paredes estão gravadas frases, poemas e nomes de alguns dos presos. Também foi preservado o local do banho de sol. O teto do local, apesar de gradeado, mas que permite a visão da bela arquitetura do prédio.

Uma das partes mais tocantes da visita, por ser visível a emoção de muitos dos visitantes, é uma cela onde se pode ouvir depoimentos de ex-presos políticos. Além do áudio, a cenografia simples e delicada compõe o ambiente de maior emoção. A explicação para o cenário, um feixe de luz que foca um cravo vermelho dentro de uma garrafa sobre um caixote de madeira, está no comentário de uma ex-presa, que conta a história do Natal em que passou no Dops. A militante recebeu da família um ramalhete de cravos vermelhos e os distribuiu entre os outros presos em ato de comunhão. Os depoimentos são, em maioria, carregados de sentimentos de solidariedade, fraternidade e delicadeza, apesar de falarem de situações de horror.

Durante a visitação, o silêncio e a tensão do local são amenizados pela a interferência sonora da música “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Adir Blanc, na voz de Elis Regina, que ficou conhecida como o hino da anistia. A música, que tem arranjos do pianista César Camargo Mariano, canta o sonho pelo retorno dos presos políticos, citando o irmão do cartunista Henfil e fala das dores de muitas mulheres que foram presas ou que perderam pessoas próximas, usando o nome de Clarice, esposa do jornalista Wladimir Herzog torturado e morto no Dops.

Serviço:
Memorial da Resistência
End.:Largo General Osório, 66. Estação Pinacoteca – Luz, São Paulo
Tel.: (11) 3337.0185. Entrada gratuita de terça-feira a domingo, das 10h às 17h30.
http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/

Em tempo
O Foca Nessa também indica o livro Aos Meus Amigos, sobre a história de um grupo que se uniu na luta contra a ditaruta militar. Leia mais em:

Conheça mais em

http://www.memorialdaresistenciasp.org.br

Texto: Lorena Cardoso
Orientação: Profa. Adriana Santiago

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