Os Judas de seu Zé reforçam tradição católica

Foto: Divulgação

A Páscoa está chegando! E, apesar da desmistificação da Semana Santa e o crescente esquecimento das tradições católicas, nesta época, seu Zé do Judas ganha destaque nas calçadas de um dos mais congestionados cruzamentos da capital. Provando que o catolicismo e as festas tradicionais ainda têm muitos devotos no Ceará, as vendas de bonecos de madeira e papel machê de Zé do Judas alcançam a maior demanda nesse período.

Quem passa desatento não vê, mas em meio à correria da cidade, seu Zé atrai seus clientes com “seu Judas” exposto no cruzamento das avenidas Murilo Borges e Raul Barbosa, mais conhecidas como ruas do Cordeiro. Entre inúmeros vendedores de bugigangas e utensílios, lá está seu boneco, sentado ao lado da placa que divulga o telefone para contato e vendas. A procura é grande. No ano passado, durante a Semana Santa, foram vendidos 120 Judas, a maior venda do ano.

Feitos manualmente, com auxílio de algumas máquinas, os artefatos de seu Zé são procurados não somente na Páscoa, mas em outros períodos também. Os noivos e o padre das quadrilhas constituem decoração fundamental nas festas juninas típicas nordestinas, por isso também ganham destaque no mercado. Em campanhas eleitorais, políticos procuram o vendedor para que ele produza a personificação em madeira dos candidatos.

Seu Zé conta com uma equipe de profissionais, que o ajudam na fabricação dos bonecos. Os preços variam de 120 a 200 reais por produto, que são vendidos apenas sob encomenda. Neste ano, o fabricante de bonecos pretende vender entre 60 a 70 unidades, devido ao trabalho exigido na fabricação.

Saiba Mais

A queima do Judas é uma tradição católica que consiste em vingar a traição de Judas Iscariotes a Jesus. Acontece no Sábado de Aleluia e chegou ao Brasil com os portugueses. Antes de atearem fogo ao boneco, é comum que ele seja surrado, cuspido e xingado. Depois dá-se início ao seu julgamento, onde é lido o “Testamento de Judas”. Esse escrito é caracterizado por críticas e sátiras a pessoas locais, normalmente políticos e treinadores de futebol. A malhação simboliza a eliminação da maldade, da traição e a purificação da alma pelo fogo. Hoje em dia, é mais comum em cidades pequenas.

Texto:  Luana Benício 
Orientação: Prof. Eduardo Freire 

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