Papo Debate discute jornalismo investigativo

Janayde Gonçalves, Adriano Muniz e Eduardo Freire estiveram à frente do debate polêmico / Foto: Karen Limeira

A dimensão ética da atividade jornalística foi o assunto mais polêmico na segunda edição do Papo Debate de 2012, cujo tema central foi Jornalismo Investigativo. Organizado pela coordenação do curso de Jornalismo da Unifor, o evento, que aconteceu no auditório A1,  mediado pela professora Janayde Gonçalves, convidou o jornalista especializado em Segurança Pública, Adriano Muniz. Ele compartilhou um pouco da sua experiência como produtor de reportagens investigativas. Compôs a mesa também o professor Eduardo Freire, que ministra a disciplina de Projeto Experimental em Jornalismo Impresso.

Freire pontua que o jornalismo investigativo analisa toda uma história, investiga e pesquisa. “Equivale a uma pesquisa acadêmica, só muda o produto final. Deve haver uma questão principal, um método para resolução e definir a fonte”. Já Muniz, afirmou que, apesar do pouco investimento, principalmente no estado do Ceará, o jornalismo investigativo possui seu espaço não precisamente ligado à denúncia, mas  necessariamente ligado à descoberta de algo que está além.

Esse gênero está dentro do nicho das reportagens especiais, pois deve-se ir a fundo nas investigações, “conseguir compreender o macro”. Citou ainda o cotidiano do jornalista da Rede Globo, Eduardo Faustini, que trabalha realizando matérias de investigação que denunciam ilícitos, o que o obriga a manter-se sob proteção de seguranças permanentes.

Um exemplo de equipamento que colabora para uma investigação é o uso de microcâmeras, que, mesmo sendo consideradas importantes na coleta de dados, em alguns casos banalizou as imagens exclusivas, já que em muitos deles é empregada sem critérios. De acordo com o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, lembrado pela professora Janayde, o uso de câmeras escondidas só deve ser feito em última instância, o que não acontece na prática com alguns veículos de comunicação, que as utilizam frequentemente em matérias do dia-a-dia. Para o jornalista convidado, “somente é possível realizar jornalismo investigativo no estado do Ceará quando criarmos núcleos e  capacitarmos profissionais.”.

O professor  do curso de Jornalismo, Alejandro Sepúlveda, que participou do debate junto com os alunos, levantou a questão do jornalismo investigativo estar guiado pela lógica do espetáculo, além de afirmar que acha contraditório essa divisão entre jornalismo e jornalismo investigativo. “Na essência, todo jornalismo deveria ser investigativo”, disse.

Para Muniz, o termo “jornalismo investigativo” se diferencia em função da profundidade dada à matéria. Ele buscaria o obscuro, o que não é visto facilmente pelos olhos. “Apuração é diferente de investigação”, afirmou. E, sobre a questão do espetáculo, o jornalista concorda que, devido aos recursos de edição e a utilização de microcâmeras, os profissionais esquecem que o jornalismo investigativo está muito mais ligado ao conteúdo do que a forma.

Também foi colocado em debate a questão do direito de resposta para o acusado. Adriano Muniz explicou que é complicado, em caso de denúncia, o “outro lado” querer falar, mas que é obrigação do jornalista dar o direito de resposta. A professora do curso de jornalismo, Adriana Santiago, mencionou a questão do gatekeeper (quem seleciona e decide o que vai ser publicado), onde ressalta que, hoje, o jornalista não exerce mais a função de “porteiro da informação”, o seu papel atual é de bibliotecário. Muniz concordou com a afirmação da professora. “O furo está cada vez mais difícil de ser conseguido, já que todos detêm da informação”.

Avaliação

Para Alejandro Sepúlveda, professor do curso de Jornalismo, que assistiu a toda a palestra, “a oportunidade do debate sobre jornalismo investigativo permitiu questionar o quanto este gênero pode ser espetacularizado, a fim de angariar maiores índices de audiência, como temos visto diariamente nos telejornais”.

“O que achei mais interessante foi o fato do jornalista estar mais preparado, estar mais equipado em certas ocasiões, como o exemplo que o Adriano Muniz falou da matéria da rinha de galo” Marcelo Mesquita, estudante de jornalismo.

“Eu achei a palestra ótima porque foi uma oportunidade para os alunos que até então tinham dúvidas quanto a área de jornalismo investigativo esclarecerem suas ideias, principalmente quanto as questões éticas que o assunto exige.” Farley Aguiar, estudante de jornalismo.

No final do debate, Adriano Muniz desenhou o que seria o perfil ideal de um jornalista: ser um profissional inquieto, espirituoso e que não seja acomodado. Além disso, ter faro jornalístico, uma ânsia pelo social. “O jornalista deve acreditar na grande função de transformar vidas”. E recomendou: “Não sejam jornalistas medíocres, busquem sempre ir além, procurem coisas novas, pois essa profissão é apaixonante”.

Texto: Ahynssa Thamir e Otelino Filho
Orientação: Profa. Adriana Santiago 

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