[Série] A especulação imobiliária no entorno do Castelão

Matéria produzida pelos alunos da oficina de jornalismo 2012.1

Entorno do Castelão. Foto: Divulgação

Fortaleza vai mudar. Todos os projetos previstos para atender à Copa do Mundo de 2014 na Capital vão transformar o cenário físico em algumas partes da cidade e, conseqüentemente, alguns aspectos econômicos. Um deles é a valorização imobiliária do bairro do Castelão e suas redondezas.

O comerciante Antônio Alves, que mora próximo ao estádio, já anunciou a casa para alugar na internet. Em 15 dias de anúncio online, cinco pessoas entraram em contato, todas estrangeiras. Ele resolveu disponibilizar a casa porque foi procurado por três corretores e enxergou que era uma oportunidade de ganhar dinheiro extra. “Vi que eles já estavam interessados e achei que era uma boa hora para anunciar”. Antônio dispensou o intermédio de corretores por acreditar que o preço deles era inferior ao que outras pessoas estavam praticando. Sem muito compromisso ou grandes intenções, anunciou na Internet, por ser custo zero. “Um amigo vai alugar através de uma imobiliária por 25 mil reais. Minha casa é bem maior e achei 35 mil um preço interessante”, diz.

Especulação burra

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Armando Cavalcante, chama de “especulação burra” a que, segundo ele, proprietários daquela região estão tentando realizar. “Construtores e compradores não caem nessa. Esta atitude especulativa é prejudicial para o bairro. Os corretores vão passar a desviar a atenção para outros locais”, advertiu. Cavalcante lembra que a abrangência da Copa contempla toda a Cidade e que as áreas mais nobres também receberão estrutura e novos equipamentos. “Os visitantes vão ao Castelão apenas para assistir aos jogos e depois voltarão para os hotéis na orla e em áreas nobres”, adiantou fazendo referência a possíveis empreendimentos hoteleiros próximos ao estádio.
O diretor-superintendente da Alessandro Belchior Imobiliária, Germano Belchior, acredita que haja uma valorização de imóveis no entorno do Castelão, mas diz que este movimento só deve acontecer depois que as obras de infraestrutura estejam concluídas ou com andamento adiantado. “Existem investimentos na região para obtenção de lucro. Porém, as transações ainda não aconteceram. O movimento forte de quem quer vender ou comprar ainda não começou”, declarou. Belchior avalia como premeditada qualquer forma de especulação e acredita que investidores maiores podem adquirir imóveis para derrubá-los e transformar em algum equipamento para a Copa. Mas lembra que a região ainda tem muitos terrenos livres para serem explorados. “É a lei da oferta e da procura. Quanto mais for se consolidando a nova estrutura do bairro maior será o incremento dos imóveis, mas é preciso cautela”, avisa.

Texto: Tais Lopes
Orientação: Profa. Adriana Santiago

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