E se eu quiser me tornar vegetariano?

Foto: Divulgação

Há vários motivos que levam as pessoas a se tornarem vegetarianas, mas o que muitos não sabem é que há restrições para uma mudança drástica na sua dieta. Almaria Santos, professora do curso de Nutrição da Unifor, explicou que “o corpo precisa de proteína animal, para mudar a dieta, tirando a carne, é necessário um acompanhamento, mesmo assim a carne pode ser substituída pelo ovo e leite e derivados do leite. O problema maior está quando a pessoa se torna um vegetariano restrito, conhecido como vegano ou vegan, que decide não usar nenhuma proteína animal, tirando da sua dieta também tudo que tiver ovo e leite, juntamente com seus derivados. Para um adulto é complicado, mas o problema maior é quando pais vegans tentam impor essa dieta a uma criança, a falta da proteína animal compromete o crescimento físico e cognitivo da criança”.

Entramos em contato com vários tipos de vegetarianos e com histórias diferentes, a grande maioria optou por esse estilo de vida em favor dos animais, como Wellington Grangeiro que afirma: “Nunca fui a favor da matança em larga escala, tendo o animal como objeto, e depois de várias leituras decidi me tornar ovolactovegetariano, pois não concordava com a crueldade e sofrimento causado aos animais”. Laura Nissei levanta mais forte essa polêmica: “Primeiro porque carne é o alimento mais antieconômico e elitista do planeta. Segundo, animais são seres vivos, né? Não faz muito sentido tratá-los como produtos, hoje em dia temos diversas outras opções mais sustentáveis e gostosas não faz sentido continuar comendo carne.
É uma questão de olhar por outro angulo, estender a compaixão e a justiça a todos os seres, não só os humanos. Não somos especiais”.

Há também os que começam a dieta sem acompanhamento médico, e o não conhecimento de algum problema genético pode prejudicar a saúde, como foi o caso de Priscila Ponte, que nos esclareceu: “O excesso de queijo e leite me fizeram mal e tive que passar por uma bateria de exames. E, com 10 meses nessa nova vida, eu descobri que tinha uma anomalia no sangue e não podia ficar sem a proteína da carne branca, ou seja, tinha que tomar complexo alimentar para o resto da vida ou comer carne branca até 40 anos e depois abdicar de vez carne. Escolhi a segunda opção e não como mais carne vermelha.”

Fernanda Siebra, vegetariana, precisou comer carne durante a gravidez e amamentação de Sofia.

Existem os perigos as situações mais complicadas, como uma gravidez. Almaria alertou que a carne é rica em ácido fólico, importantíssimo para a formação do bebê, principalmente nos primeiros meses. Fernanda Siebra, que já praticava a doutrina vegetariana, teve de largar a dieta quando descobriu que estava grávida de sua filha Sofia. “Como só fui descobrir que estava grávida com muito tempo, fiquei preocupada se poderia afetar em alguma forma o bebê. Fiquei morrendo de medo de ter prejudicado a Sofia de alguma forma, aí resolvi voltar a comer carne. Pretendo voltar a dieta ovolactovegetariana assim que a Sofia parar de mamar.”

Diferente mesmo é o caso de uma fonte, que preferiu não se identificar. Vegetariana desde antes de nascer, seus pais sempre foram vegetarianos, e, consequentemente ela assim os seguiu, nos contou que nunca provou carne alguma e que nem sente vontade, mas tem em sua dieta ovo e leite e seus derivados. Atualmente ela estuda nutrição e afirma que, com a informação que está tendo no curso, passou a inserir alimentos diversificados na sua dieta e de seus pais para suprir algum déficit de nutrientes. E dividiu conosco um fato curioso que ocorreu em uma aula, um professor do curso de Nutrição se mostrou totalmente contra as pessoas se tornarem vegetarianas, ao fim a aula nossa fonte contou-lhe que ela era vegetariana desde que nasceu e o professor explicou: “Sua condição é diferente, você já nasceu acostumada a ter suas proteínas animais provenientes de outros alimentos, talvez se você vier a comer carne isso até te faça mal, o que eu sou contra é a mudança radical que muitas pessoas fazem em suas dietas sem o devido acompanhamento.”

A conclusão que podemos tirar é que muita gente vive bem sem o consumo de carne mas, mesmo assim, se decidir mudar a sua dieta é necessário acompanhamento de um profissional. Perguntamos a outros entrevistados se já tiveram algum problema de saúde, a maioria disse que não, pois começaram seu novo estilo de vida com acompanhamento de um nutricionista ou endocrinologista e fazem exames regularmente.

Texto: Bárbara Guerra

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