Cotas para estudantes de escolas pública gera polêmica

 

Foto: Divulgação

A partir de 2013 as universidades públicas já utilizarão, com um percentual mínimo, a lei que estabelece cotas reservadas para estudantes de escolas públicas. O projeto de lei, que prevê a reserva de 50% das vagas nas universidades federais de todo o Brasil, foi sancionado em agosto desse ano pela presidente Dilma Roussef. A presidente estabeleceu um período de quatro anos para as instituições se adaptarem gradativamente.

Para Dilma, não adianta virar as costas para a desigualdade, esses desafios precisam caminhar lado a lado. Porém, esse tema levanta opiniões divergentes. Conversamos com alguns estudantes e professores que apresentam seus motivos para concordarem ou discordarem da lei.

Sim

Marilia Ceres. Foto: Acervo Pessoal

Para a estudante de ensino superior, Marília Ceres, é uma boa medida paliativa, para que as escolas públicas consigam se estabilizar e chegar perto de se igualar com as particulares. “Se a sociedade fosse esperar até o fim dessa mudança, dessa reestruturação, pra que os estudantes menos favorecidos começassem a conseguir competir com os alunos de escola particular, até lá, muita gente ia perder oportunidades importantes na vida”, argumenta.

Marilac Doth, professora da Universidade Estadual do Ceará, crer que as cotas são apropriadas, pois proporcionam uma inclusão social, ajudando aos alunos que tiveram uma baixa qualidade na educação. “É oportuna no momento, mas não resolve o problema”, afirma.

Não

Segundo o estudante da Universidade Federal do Ceará, Gilberto Sales, a cota acaba desviando o real problema, que é a péssima qualidade do ensino público no Brasil. Para ele, rotular as pessoas pela cor, termina sendo um tipo de preconceito velado. Ao invés de cotas, o governo deveria trabalhar para melhorar a qualidade de ensino, “uma ação afirmativa desse jeito, acaba tapando o sol com a peneira”, acredita.

A também aluna da Universidade Federal, Liana Leal, compartilha da mesma ideia, “o melhor seria nem existir cotas, mas sim que os estudantes de escola pública tivessem um bom ensino, para poderem concorrer a uma vaga na federal, igualmente, como alguém de escola particular”, conclui.

Para entender melhor

A lei que beneficia negros, pardos, indígenas e alunos carentes, oferece metade das vagas da universidade para ampla concorrência e a outra metade será reservada por critério de cor, rede de ensino e renda familiar, onde terão sua seleção com base no Exame Nacional do Ensino Médio, Enem.

O número de vagas destinadas para as universidades ou instituto da rede federal, será distinta, de acordo com a proporção de populações apontada no censo do IBGE de 2010, de cada estado em que está a instituição de ensino superior. Ainda haverá uma regulamentação a ser discutida com o conselho de reitores, para definir o cronograma de implantação das cotas, que deverá ser divulgada até o final do ano.

Texto: Marina Freire

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