Especialistas colocam a confiabilidade das urnas em xeque

Foto: Divulgação

Nas eleições municipais deste ano, a apuração das urnas acabou cedo. Com apenas 7 minutos e 36 segundos, o município de Pinheiro Preto (SC) já possuia 2.407 votos computados e um prefeito reeleito. No entanto, a notícia, que acabou amplamente celebrada como símbolo de mordernidade e eficiência, reacende um debate entre especialistas, até então, quase sem voz: Afinal, é possível confiar inteiramente na Urna Eletrônica? A constante luta pela rapidez compromete a qualidade das apurações?

É raro que, hoje, no Brasil, se fale da Urna Eletrônica sem que tal comentário esteja associado a um elogio. Desde a sua implantação oficial, em 1996, nossa máquina de votação é tratada quase que unanimente como símbolo de inovação e eficiência do Sistema Eleitoral Brasileiro. A confiança no sistema é tamanha, que o ex-ministro do TSE, Ayres Britto, chegou a declarar que a urna, além de automatizar 100% de todo o processo eleitoral “é 100% segura”.

De acordo com Vasco Furtado, professor e especialista em segurança da informação da Universidade de Fortaleza (Unifor), a declaração do ex-ministro “não tem qualquer procedimento”. Segundo ele, “é improvável se imaginar qualquer sistema no mundo que seja inviolável. Todo especialista sabe que a questão a ser levantada deve ser se o sistema é muito fácil ou muito difícil de ser violado”, esclarece.

A opinião do especialista é endossada pelo blogueiro João Melo Paiva, responsável pela administração do blog Fraude nas Urnas, que acredita existir um agravante ainda mais perigoso. “O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o responsável pela criação do sistema, por sua distribuição, apuração e ainda é quem recolhe as denúncias. É patético. Além de não sabermos se o sistema é verdadeiramente confiável, porque ninguém tem acesso nem para que sejam realizados testes profundos, ficamos dependendo pura e simplesmente da palavra de um órgão que, além de ser interessado no assunto, nunca trabalhou de forma transparente em relação à apuração de denúncias”, acusa. Ainda, segundo o blogueiro, a insegurança da urna é tão grande, que basta que um elo se corrompa para a eleição toda ser colocada em xeque. “Os agentes de cada TRE têm acesso total às urnas; quem garante que ele não pode ser corrompido?”, completa.

De acordo com o Secretário de Segurança da Informação do TRE-CE, Carlos Sampaio, essa tese pode ser descartada: “ninguém possui conhecimento de todo o processo. As informações chegam criptografas da ABIN (Agência Brasileira de Informação) e a urnas chegam a cada Tribunal Regional em um período de tempo muito curto até a sua distribuição, sendo que a realização de um processo de adulteração por qualquer agente é quase impossível”, explica. “Além do mais, essa é a maneira mais provável de haver qualquer coisa, sendo que até os opositores das Urnas Eletrônicas admitem que ela é exemplarmente segura contra ataques externos e mesmo ataques internos são improváveis”, argumenta.
E você, o que acha: as Urnas Eletrônicas são ou não confiáveis?

Texto: Lucas Dantas

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