Vida de universitário: do interior para a capital

Rodoviária de Fortaleza. Foto: Divulgação
Rodoviária de Fortaleza. Foto: Divulgação

Atraídos sobretudo por melhores oportunidades de emprego e estudo, jovens de áreas interioranas vêm morar na cidade de Fortaleza tendo que enfrentar, muitas vezes, um estilo de vida completamente diferente do habitual.

“No começo foi um pouco estranho, porque era algo que eu ainda não tinha vivido”, explica Marco Feitosa, estudante de Educação Física da UECE que veio de Baturité (a 105 km de Fortaleza) há dois anos. “Você tem que preparar o almoço por conta própria e pagar as contas, por exemplo.

Foto: Arquivo pessoal
Marco Feitosa. Foto: Arquivo pessoal

A movimentação da cidade, durante o dia a dia, me surpreendeu, é importante estar atento aos seus horários. Se eu não precisasse morar aqui, com certeza gostaria de poder voltar pra Baturité”.

Em meio aos que preferem suas origens a ter que enfrentar os desafios de morar na cidade grande, como o de pegar o ônibus certo no horário apropriado, existem, também, os que apreciam a mudança de vida. “No começo foi difícil me adaptar à correria. Mas, quando a gente se acostuma, fica tudo mais fácil.

Otelino Braga. Foto: Arquivo pessoal
Otelino Braga. Foto: Arquivo pessoal

O ambiente que a gente mora transforma as nossas atitudes, por isso, hoje em dia, tudo o que faço já é pensando nessa correria da cidade”, diz Otelino Braga, estudante de Jornalismo da UNIFOR que veio de Santa Quitéria (a 222 km da capital). “Quando a gente pensa em faculdade, pensa grande, e no interior as oportunidades são bem limitadas, por isso quis morar aqui”.

Uma boa opção para quem não gosta de morar sozinho é procurar algum amigo que também vá para a mesma cidade. Lidiane Almeida veio de Juazeiro do Norte cursar Jornalismo na UNIFOR, em 2011, e encontrou uma amiga que passou na mesma universidade para dividir o apartamento.

O medo inicial de chegar em um lugar estranho logo despareceu, e ela decidiu tentar morar só. “Achei ótimo, tirando a parte que eu ligava pra minha mãe umas seis vezes por dia pra saber como limpar uma coisa ou como fazer tal comida. Mas eu adorava ter meu cantinho, minhas coisas no lugar que eu escolhia.”

Foto: Arquivo pessoal
Lidiane Almeida. Foto: Arquivo pessoal

Mesmo gostando da nova vida, Lidiane decidiu voltar para Juazeiro. “Resolvi voltar pra casa porque eu não me acostumei à Fortaleza. Já ouvi de muitas pessoas que é muito difícil gente do interior se acostumar à vida corrida da capital e vice-versa. Fortaleza era muito agoniante pra mim, pra tudo era preciso pegar táxi ou ônibus.

Eu sempre andava com medo de alguma coisa acontecer, porque as pessoas aí não têm o costume de andar a pé. Então, em certo horário, as ruas ficavam desertas e eu já não podia botar o pé na calçada”. Além da saudade da vida tranquila do interior, Lidiane sentia muita falta dos seus pais e dos amigos. Algumas pessoas não conseguem se acostumar à mudanças bruscas de vida e, hoje, ela continua cursando Jornalismo, agora na UFC de Juazeiro, mas diz que também sente falta dos amigos de Fortaleza.

Algumas orientações são indispensáveis para os recém-chegados. “Seja organizado, não procrastine suas tarefas”, recomenda Feitosa. Saber lutar contra o tempo também é uma das dificuldades a serem superadas. “Aqui, em Fortaleza, tudo passa mais rápido. Parece que o tempo voa, temos que marcar tudo com muita antecedência e já pensando em possíveis atrasos”, complementa Braga.

Texto: Janine Nogueira e Thaís Praciano

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