[Foca Nessa] Seis olhares em Hiroshima

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No final da Segunda Guerra Mundial, o mundo estava prestes a mudar. Duas bombas nucleares foram lançadas pelos Estados Unidos sobre duas cidades japonesas, Hiroshima e Nagasaki. Estima-se que cerca de 140.000 pessoas morreram, além de outras tantas que sofreram com a exposição à radioatividade.

A bomba “Little Boy”, com 60kg de urânio, foi levada pelo avião “Enola Gay” e caiu em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945 às 8:15 da manhã. É a partir desse contexto que o jornalista John Hersey começa a compor o seu famoso livro “Hiroshima” que revolucionou a maneira de se contar o jornalismo de guerra. A partir de depoimentos de seis pessoas, ele mostra ao resto do mundo os horrores e tragédias desse momento e o que ele causou.

No momento da explosão, o reverendo Kiyoshi Tanimoto estava levando os seus pertences para a casa de um amigo, a viúva Hatsuyo Nakamura estava em casa com os seus três filhos, o Dr.Masakazu Fujii lendo jornal no seu hospital particular, o Padre Wilhelm Kleinsorge, alemão, estava em seu quarto, o Dr. Terufumi Sasaki carregava uma amostra de sangue no Hospital da Cruz Vermelha e Toshiko Sasaki, sem parentesco com o médico, virava-se para falar com uma colega no trabalho.

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Depois de escutar o alarme de que estava tudo seguro, nenhuma dessas pessoas imaginava o seu destino nos próximos minutos, como suas vidas mudariam e como cada escolha faria a diferença. Alguns deles, como o reverendo Tanimoto, o padre Kleinsorge e o Dr. Sasaki, dedicaram as próximas horas e dias para ajudar aos outros que estavam mais feridos do que eles. A viúva Nakamura tentava proteger os filhos, o hospital do Dr. Fujii caiu no rio levando-o junto e Sasaki ficou soterrada por uma estante de livros e com a perna esquerda quebrada.

O que aconteceu depois da explosão foi ainda mais desesperador. A cidade de Hiroshima estava arruinada e para todos os lados se viam filas e pessoas queimadas, mutiladas e feridas. Acompanhamos o desenrolar pós-bomba dos personagens principais, e, além deles, existiam mais milhares sofrendo aos seu redor. Após relatar os próximos meses seguintes, o autor revisita as seis pessoas 40 anos depois e relata o que aconteceu no decorrer de suas vidas.

John Hersey fez o que nenhuma outra reportagem da época conseguiu fazer: trouxe os horrores da guerra para perto de nós. Em vez de pensar em apenas números, liam-se relatos reais sobre pessoas de carne e osso. “Hiroshima” é leitura obrigatória para os estudantes de jornalismo, jornalistas e todos aqueles que desejam entender os verdadeiros efeitos da Segunda Guerra Mundial e do uso de bombas nucleares.

Texto: Thaís Praciano

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