[Claquete] Ascensão e queda da musa de Andy Warhol

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“Uma pessoa nos anos 1960 me fascinou mais que qualquer uma que eu já tenha conhecido. Essa fascinação que eu experimentei provavelmente era bem próxima de uma forma de amor.” Com essa frase de Andy Warhol, inicia-se o longa Uma garota irresistível – cuja tradução não recupera a referência do original, Factory Girl, ao estúdio, chamado Factory, em que Andy Warhol pintava e gravava seus filmes.

O longa retrata, com ares de documentário romanceado, a relação do inventor da pop-art (brilhantemente interpretado por Guy Pearce) com a jovem estudante de artes Edie Sedgwick, herdeira de uma rica família da Califórnia e marcada por profundos traumas de infância, envolvendo abusos do pai e a morte dos irmãos.

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Exótica e vulnerável, a moça se muda para Nova York em meados da década de 1960 e rapidamente entra em contato com a cena artística local. Logo ao ser apresentada a Warhol, a personalidade fascinante de Edie encanta o artista, que a convida a atuar em um de seus filmes e, posteriormente, vem a torná-la sua musa e uma de suas superstars, até que sua ligação chegue ao fim devido ao envolvimento romântico de Edie com um músico e desafeto de Warhol, veladamente inspirado em Bob Dylan.

Contrapondo tomadas de Edie Sedgwick em sessão de terapia, já no ano de 1970, a longas sequências em flashback de suas memórias na Nova York dos anos 1960, o filme conta com a comedida e convincente atuação de Sienna Miller como Edie – que se mostra capaz de expressar uma infinidade de sensações ao espectador com não mais que um desvio do olhar ou uma hesitação no gesto -, além de uma direção de fotografia vibrante e detalhista, possibilitando a imersão do espectador na atmosfera saturada de inovação e excessos do meio artístico de contracultura da época retratada.

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Com um roteiro ousado – alvo de ameaças de processo por parte de Bob Dylan, que se sentiu difamado pelo personagem inspirado em si -, Uma garota irresistível peca – além da grosteca tradução do título, já mencionada – apenas pelo injusticado acanhamento da trilha sonora, quase sempre relegada a segundo plano, e pelo talvez inevitável resvalo no clichê das histórias de “ascensão e queda” de uma heróína cativante mas frágil, incompreendida ou injustiçada pelo mundo à sua volta.

O carisma quase hipnótico de Edie Sedgwick, contudo – descrita em um dos depoimentos que fecham o longa como “uma combinação de todas as mulheres trágicas que vieram antes dela” -, torna essas pequenas falhas irrelevantes, e faz com que cada minuto da película seja um deleite à sensibilidade estética.

Texto: Lia Martins

Ficha técnica

Título Original: Factory Girl
Ano: 2006
Direção: George Hickenlooper
Gênero: drama; biografia
Duração: 99 min.
Origem: EUA

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