[Foca Nessa] Argo em páginas ao invés da tela

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Ao contrário do que se pensa, o ganhador de Melhor Filme do Oscar de 2013 não foi baseado no livro Argo. O filme, dirigido e interpretado por Ben Affleck, teve como inspiração a obra escrita anteriormente pelo mesmo autor, The Master of Disguise.

A história desse resgate fantástico foi mantida em segredo até 1997 quando a CIA pediu para Antonio Mendez relatar o acontecido como forma de comemoração ao 50º aniversário da Agência. Depois disso ela entrou numa reportagem de seu primeiro livro e em uma reportagem na revista Wired até ganhar um roteiro de cinema e depois transformar-se em um livro, com colaboração de Matt Baglio.

Cora e Mark Lijek, dois dos hóspedes. Foto: National Geographic Channel
Cora e Mark Lijek, dois dos hóspedes. Foto: National Geographic Channel

Argo nada mais é do que um relato minucioso da operação secreta que juntou a Central de Inteligência Americana com o mundo espetacular de Hollywood. Tudo começou com a invasão do povo iraniano à embaixada dos Estados Unidos no Irã. Eles exigiam a devolução do xã que estava lá tratando de uma doença e, claro, fugindo da população. Todos os americanos foram feitos reféns e vistos como espiões, mas seis deles conseguiram escapar e se refugiaram na casa de um diplomata canadense. Eram Bob Anders, Joe e Kathy Stafford, Mark e Cora Lijek e Lee Schatz.

O autor e ex-agente, que trabalhou por 25 anos na CIA, era o responsável pela exfiltração dos seis, chamados hóspedes. O que no livro podemos ver com muito mais detalhes é como realmente funciona o trabalho de disfarces e resgates e o quão difícil a criação de documentos e histórias falsas nessas situações. Antonio Mendez rever casos passados em que trabalhou e explica como foram os bastidores da criação de uma história que de tão impossível se tornou realidade.

Os hóspedes com o Presidente Carter. Foto: Arquivo pessoal
Os hóspedes com o Presidente Carter. Foto: Arquivo pessoal

Os hóspedes se transformaram em uma equipe técnica de um filme de ficção científica chamado Argo, procurando locações no Oriente Médio. Além de identidades falsas, foi criado um escritório, anúncios em revistas e boatos espalhados por toda Hollywood de que a produção realmente iria acontecer.

Com a ajuda de um amigo próximo, chamado de Jerome Calloway, maquiador famoso e premiado, Mendez viajou com mais um agente para o Irã e conseguiu resgatar os hóspedes. O interessante é que, no filme, eles passam por situações de grande tensão, como quando saem para uma feira disfarçados ou são barrados por militares no aeroporto e precisam comprovar sua história. No livro vemos que nada disso aconteceu e eles chegaram sem dificuldades aos Estados Unidos.

Para quem se interessou pelo filme Argo, ler o livro será uma aventura maior ainda, pois é possível saber na íntegra como foi desenvolvida a operação secreta, além de termos um vislumbre do funcionamento da CIA. Antonio Mendez escreve não só sobre a emoção de uma exfiltração, mas sobre o trabalho de dezena de pessoas para torná-la um sucesso.

Texto: Thaís Praciano

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