Muito além dos viadutos

 Foto:Luana de Castro
Foto: Luana de Castro

Aconteceu nesta terça-feira (17), a segunda atividade da série de debates sobre mobilidade urbana em derivação ao Dia Mundial Sem Carro. Dentro de um contexto pertinente – e polêmico – em torno da construção dos viadutos, a Universidade de Fortaleza recebeu a militante Marúcia Mendes (movimento Salve as Dunas do Cocó) e o professor, advogado e vereador João Alfredo (PSOL), sob coordenadoria da professora Sylvia Cavalcante, para arguirem sobre a temática “Cocó – Uma Trajetória de Resiliência e Esperança”.

É por meio da apresentação do histórico de lutas em prol do Parque do Cocó, desde a década de 70, que Marúcia distingue a ocupação da área de atos ociosos e sem causa. Para ela, mais do que a luta por árvores que foram derrubadas ou que poderão ser, há, nesse manifesto, um exercício simbólico e real sobre o que entendemos por Direito à Cidade. ” É uma pena ver os ‘heróis da resistência’ lutarem com os poderes econômicos sem o apoio de uma parcela da sociedade”, enfatizou.

Foto: Luana Poynter
Foto: Luana Poynter

Marúcia denunciou, ainda, o avanço de aterros sanitários e os incêndios propositais na área vegetal. Com o fim de sua fala, a militante passou a palavra ao palestrante posterior com uma reflexão sobre o efeito paliativo da construção de um novo viaduto, e acrescentou: “Existe uma só maneira de resolver o problema da mobilidade; pela educação e reorganização da malha urbana”.

Em seguida, João Alfredo deu continuidade aos questionamentos da palestrante anterior afirmando: “Estou absolutamente convencido de que os viadutos são ilegais”. João justificou a declaração discursando sobre o desrespeito da Prefeitura pelo Direito Ambiental e Urbanístico, ressaltando que o Cocó é considerado, pelo Código Florestal e pelo Plano Diretor de Fortaleza, área de preservação permanente. O vereador apontou, também, que a verba para a construção de viadutos poderia ser utilizada para promover melhorias no sistema de transporte público.

Foto: Luana de Castro
Foto: Luana de Castro

Em tempo, ele descreveu suas percepções sensoriais ao presenciar o recuo da “tropa de choque”, que, segundo o palestrante, invadiu ilegal e violentamente o acampamento do Ocupe o Cocó, após liminar judicial: “A luta é apartidária, é pela capacidade de resistir contra a ordem, se ela for injusta. Presenciar essa conquista, não tem preço”, frisou. Ele aproveitou, então, para ironizar os chavões que denominam os ocupantes (de modo pejorativo) com um trocadilho: “Vai vagabundear, trabalhador”.

Texto: Alana Oliveira

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