É tempo de Praxe em Lisboa

Foto: Camila Teixeira
Foto: Camila Teixeira

A primeira semana de “aulas” nas universidades de Lisboa chegou ao fim juntamente com o período de praxes acadêmicas. Como manda a tradição portuguesa, todos os alunos matriculados pela primeira vez nas universidades são intitulados como bichos. Os calouros são alunos matriculados pela primeira vez e que participam da cerimônia do batismo, estes são praxados, se aceitarem participar.

Para que você entenda melhor, a praxe em Portugal equivale ao trote no Brasil, é um conjunto de práticas que visa à recepção e integração dos novos estudantes nas instituições, porém diferentemente do Brasil os estudantes veteranos portugueses que organizam e comandam as atividades utilizam uma vestimenta específica para estas cerimônias, o traje.

 Trata-se de um traje social na cor preta com blazer e saia na altura acima dos joelhos para as mulheres e calça para os homens. Debaixo do blazer faz-se o uso de camisas de botão brancas e gravatas pretas para ambos os sexos. Para os homens ainda há um colete social que compõe o traje. Por último, a capa preta comprida complementa o visual de todos os praxantes – veteranos da universidade que foram praxados quando iniciaram o seu período acadêmico e agora têm o direito de praxar os novos alunos.

Foto: Camila Teixeira
Foto: Camila Teixeira

Essa cultura não é tão simples como parece, são muitas regras dispostas no código de praxe, difícil resumir em poucas palavras todo o funcionamento desta tradição, mas é possível explicar de maneira geral como funciona todo o processo. Cada aluno veterano que foi praxado em seu ano tem o direito de fazer parte da comissão de praxe e aderir ao traje a partir do seu segundo ano de estudos. Dependendo do ano de cada veterano eles são nomeados de forma diferente, existem os mestres e os doutores. Cada curso tem a sua comissão de praxe e o seu presidente que é o responsável pela comissão – este detém a última palavra diante de conflitos ou debates.

Foto: Mariane Morales
Foto: Mariane Morales

Ao todo, são cinco dias de atividades. Os caloiros têm que obedecer os veteranos que exigem acções como: correr, deitar no chão, saltar, falar palavras e/ou frases ofensivas, cantar músicas representativas do curso – a maioria com palavreado sexual – e se os caloiros não realizam tais atividades são imediatamente atingidos por jatos de água disparados por armas de brinquedos além outras penalidades.

A principal delas chama-se encher, os calouros devem fazer flexões, abdominais ou saltos e o número de repetições é determinado pelos veteranos de acordo com o descumprimento das atividades. A brincadeira demonstra como objectivo a necessidade de respeito ao “superiores” mestres e doutores da praxe.

Foto: Camila Teixeira
Foto: Camila Teixeira

Os calouros são tratados como soldados de uma tropa militar, mas no fim, apesar de todo o cansaço, eles resistem e acabam se divertindo para que possam praxar nos anos seguintes. Poucos sãos os que choram e desistem das brincadeiras por não se sentirem bem com as humilhações.

 No Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa os caloiros ainda tiveram a oportunidade de se divertirem e participar de disputas em brinquedos infláveis como touro mecânico e pebolin gigante. Bebidas e a famosa bifana também foram servidos a preços acessíveis. Um porco inteiro foi assado no pátio e as bifanas do leitão eram servidas com pão, um dos principais acompanhamentos da maioria das refeições em Portugal. Ainda teve dança e músicas típicas da região.

Foto: Camila Teixeira
Foto: Camila Teixeira

No penúltimo dia de praxe, os caloiros foram separados em grupos e participaram do chamado Rally Tascas, uma caminhada com diversas paradas onde eles experimentavam doses de bebidas. Uma forma divertida de conhecer os arredores da universidade, as bebidas típicas, além de amenizar os “sofrimentos” causados durante toda a semana.

Texto: Mariane Morales

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