“A violência fala quando a fala falta”

Foto: Priscila Baima
Foto: Priscila Baima

Com o tema “Família em Contextos”, a I Mostra de Trabalhos Lesplexos, realizada nos dias 10 e 11 de outubro, no Teatro Celina Queiroz, propôs, na última sexta-feira, uma discussão sobre o tema “Práticas de Socialização de famílias em situação de vulnerabilidade social”, ministrada pela professora e psicóloga, Christina Sutter, da Universidade de Fortaleza.

Christina começou sua apresentação enaltecendo o tipo de jogo relacional que existe nas famílias modernas, que podem ser classificadas em psicóticas e maltratantes..

Para a psicóloga, “as pessoas tomam partido umas das outras abertamente. Nessas famílias, há um conflito conjugal que vai explodir de uma maneira violenta, e a criança é inserida nesse conflito. É muito comum a criança tomar as dores da mãe ou do pai, além dos pais castigarem a criança como forma de atingir o outro”.

Em seguida, Christina falou sobre a relação que existe nos maus-tratos e no fato dessas famílias terem grandes privações materiais, de baixa renda, que interfere diretamente no modo como vão tratar os filhos em casa. Outro fator é o ponto de vista dos pais em relação a descrição do comportamento da criança e do adolescente. “Eles atribuem o comportamento a uma maldade natural da criança, falam que a criança já nasceu ruim.Ou vão atribuir o comportamento da criança a uma deliberada má intenção: “gosta de roubar a paciência”, como se a criança fizesse isso propositadamente”, levantou a professora.

Falta de diálogo compromete a educação da criança

Por causa dessa postura dos pais, a criança passa a absorver os adjetivos dados pelos pais e se transforma no que os pais dizem. “De tanto a criança ser tratada dessa forma, ela vai ser empurrada para uma espécie de marginalidade doméstica, vai virando uma espécie de pequena criminosa da casa e acaba realmente se comportando dessa forma”, levantou Christina.

Raara Rodrigues, estudante de psicologia, achou os pontos principais da palestra como um aprendizado acerca do tema abordado. “Foi muito bacana ouvir a experiência dela como professora, mas também como psicóloga, e saber como a violência circula no contexto familiar”.

A aluna pôde, também, firmar um posicionamento no que diz que respeito aos exageros existentes na forma como os pais lidam com os filhos. “Temos que corrigir, temos que bater, temos que dá uma dura, e hoje em dia a gente vê o extrapolamento disso, dessa cultura totalmente agressiva É importante parar para pensar o porquê que existe esse tipo de educação na família. O que também me marcou foi a frase que a professora disse, “a violência fala, quando a fala falta”, porque resumiu a falta de dialogo, a falta de compreensão entre os parentes. Isso tudo faz com que a violência apareça de forma muito clara”, concluiu Raara.

Texto: Priscila Baima

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