“Essa é uma noite de afeto”

Eroltide Onório, João Jorge Raupp e Fabio Barbieri. Foto: Avner Menezes
Eroltide Onório, João Jorge Raupp e Fabio Barbieri. Foto: Avner Menezes

Abriram-se as cortinas e três músicas instrumentais soaram dando início ao lançamento do livro A Homofobia nas Famílias da Minha Terra, de João Jorge Raupp Gurgel, que ocorreu ontem, no Teatro Celina Queiroz, da Unifor. O livro nasceu de um projeto acadêmico, vindo da sua tese de mestrado, sendo concluído como um “projeto de vida e um sonho a ser realizado pelo autor da obra”, assim disse Fabio Barbieri, colaborador do livro e terapeuta do escritor.

João Jorge Raupp é portador de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) desde 2007, o que o deixou tetraplégico e com dificuldades para se comunicar. Ele foi colocado no palco com a ajuda de sua mãe, e suas palavras foram escutadas por meio de um áudio pré-gravado direcionado especialmente para aquela noite. A gravação falava sobre o conteúdo abordado no livro, mostrando dados estatísticos e a importância da discussão sobre a homofobia nos tempos atuais.

O palco foi composto pela rápida presença da professora Sandra Helena, – ligada à psicologia, ao direito e ao jornalismo da Unifor – que homenageou João Jorge, falando de sua carreira profissional. Rosendo Amorim, professor da área do Direito na Universidade, esteve presente como cerimonialista. Ademais, o evento também contou com o comparecimento de Erotilde Honório, diretora de Comunicação e Marketing do Campus, e o já citado Fabio Barbieri, colaborador do livro.

Foto: Avner Menezes
Foto: Avner Menezes

Impossibilitado de dar aula, hoje, João Jorge trabalha como escritor e pesquisador, já planejando a sua próxima obra. A Homofobia nas Famílias da Minha Terra é seu primeiro livro, trazendo nele “a vocação de sua família de importar-se com as minorias e seus problemas”, assim disse Erotilde Honório. “Em contato com a violência e discriminação contra os homossexuais, no exercício da sua profissão de psicólogo, João Jorge vive de muito perto essa condição e traz à luz o reconhecimento desta realidade de rejeição e desrespeito, exatamente no seio da família, local onde o indivíduo primariamente conta ou deveria contar com a proteção, o afeto, a compreensão e a aceitação das diferenças com naturalidade”, acrescentou Erotilde, tratando sobre o paradoxo da vivência afetiva que os indivíduos têm no contexto familiar, tema colocado no corpo do livro.

Fábio Barbieri, que acompanhou de perto o estado de saúde de João Jorge, teve grande dificuldade para falar no palco. Com uma breve pausa tomada pelo seu choro, ele conseguiu finalmente agradecer. “És uma grande pessoa, tanto como professor e como mestre. Obrigado por acreditar no meu trabalho”. A frase de Erotilde Honório, logo em seguida colocada, pôde resumir bem aquele evento: “Essa é uma noite de afeto”. A plateia estava repleta de familiares e alunos que se emocionaram com a presença do professor João Jorge.

Jáder Alencar, estudante de psicologia, lembra quando foi seu aluno, “já tive aula com ele durante pouco tempo, menos de um semestre, ele teve de sair por conta da doença. Sem dúvidas foi um ótimo professor”. O lançamento do livro teve, ainda, um coquetel como encerramento e um espaço destinado à venda dos livros.

Texto: Giovânia Alencar

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