Jovem romancista lança primeiro livro de trilogia

1011737_529561117143005_690443411_n

Envolvida por uma trama de romance real,  registrada em forma de cartas e adaptada para uma instigante narrativa, a escritora e estudante da Unifor, M. Monte, lançará, no dia 13 de fevereiro, às 20h horas, no Mambembe – Comida e Outras Artes, seu primeiro romance, intitulado 27 Páginas Antes de Dizer Teu Nome.

M. Monte conta, em seu livro, uma história de amor ocorrida nos últimos dois anos. Inspirada pela própria história, a escritora transforma o que antes era hobby em realidade: tornar público o que até então era escrito e guardado como forma de lembrar o que foi vivido.

“A forma que eu achei de me demonstrar foi escrevendo, eu não mostrava para ninguém, mas era como se, de alguma maneira, eu estivesse dizendo ao mundo alguma coisa minha”, relembra a estudante.

Foto: Pedro Vinícius
Foto: Pedro Vinícius

O romance, que complementa outras duas obras da autora (Pra não falarmos nunca mais de amor e Falávamos das Velhas Senhoras que Ainda Usavam Laquê, ainda em desenvolvimento) é narrado por Oscar, alter-ego da autora, que conta a história de amor vivida por ele com Jordan, sua atual namorada, e Francis, a ex.

Ainda com remorsos do seu antigo relacionamento, Oscar inicia uma nova relação, mas sente que precisa se resolver com o que passou. Sendo assim, no decorrer da narrativa, ele se declara um homem mais maduro que procura se redimir diante de todas as dores e amores de sua vida, estando pronto para recomeçar.

A trilogia, segundo M. Monte, mostrará muito da sua personalidade “mutável”, como a própria autora se caracteriza. A possibilidade de enxergar a inconstância e evolução na maturidade dos personagens é um reflexo das experiências vividas por ela, o que torna o romance ainda mais real.

Confira a entrevista na íntegra

Blog do Labjor: Como surgiu a ideia de escrever esse livro?

M. Monte: Comecei a trabalhar em uma editora no ano retrasado. Então peguei meu material e fui editando. Só que na mesma época em que isso aconteceu, eu comecei a viver a história desse livro. Em nenhum momento pensei em escrever essa história para publicar. Eu ia escrevendo a minha história, que estava acontecendo, como um diário para ver onde isso ia terminar. Quando estava no meio da história, eu olhei e disse: “isso dá um livro, um livro lindo”. Então comecei a me preocupar em mudar um pouco algumas coisas para encaixar melhor, para tecer um romance, porque ele estava no nível de cartas. Fui estruturando as histórias que já tinha escrito de uma maneira que tivesse um fio, tecendo uma história mesmo. Mudei os nomes dos personagens, acrescentei algumas características.

BL: Como é ser personagem do seu próprio livro?

M. Monte: Na verdade eu sempre fui um personagem. Um ano eu gostava de ser a descoladinha da escola, no outro eu era a rebelde e no outro a que jogava futebol com os meninos. Então eu estava sempre mudando. Fui me acostumando a escrever por vários personagens.  Me assumi também como a pessoa que tem várias pessoas dentro de si. Então quando eu vou escrever é como se eu tivesse assumindo um personagem. A diferença desse livro é que eu assumi, pela primeira vez escrevendo, o personagem “eu”. Isso foi diferente porque quando eu crio um personagem para escrever um livro ou um conto qualquer, dou a ele traços específicos que tenham a minha personalidade, mas que mesclem com a personalidade de outras pessoas.

M. Monte. Foto: Pedro Vinícius
M. Monte. Foto: Pedro Vinícius

BL: Onde você busca a inspiração para escrever?

M. Monte: Primeiro, na vida. Tudo que acontece comigo eu sempre tenho aquele pensamento de que isso daria um livro, isso daria uma bela história. Algumas eu manteria intactas, porque só em terem acontecido do jeito que foram, já são lindas. Outras, eu fico pensando: “se essa história aqui mudasse isso, isso e isso, ficaria massa!”. E aí, vou. Algumas acabo de escrever, desenvolvo, outras eu infelizmente deixo passar.

BL: Seu livro pode ser considerado uma autobiografia?

M. Monte: Não considero uma autobiografia porque é uma história. Ela tem um tempo certo de acontecer. Ela começa, tem o meio e termina, por um curto período de tempo. Em dois anos essa história se desenrola e se resolve. Como eu falei, sou muito mutável para em dois anos dizer que isso seria uma coisa meio biográfica. Provavelmente quando eu terminar o terceiro livro, eu já serei outro personagem. Então se eu fizesse um livro autobiográfico, ele teria vários personagens meus e não seria só um Oscar, só uma história.

BL: No livro seu personagem é um homem, o Oscar, por quê?

M. Monte: Gosto de mudar muito bruscamente meus personagens, e a maioria deles são masculinos porque, por mais que você saiba que sou eu ali, eu não quero que você leia me vendo. Eu gosto que quando você leia, você veja alguém completamente diferente, personagens diferentes. A personalidade dos meus personagens combinam muito mais com os principezinhos ou vilões de historinhas do que com as mocinhas. Se você ver a Manu, provavelmente não entenderá o Oscar.

Foto: Pedro Vinícius
Foto: Pedro Vinícius

BL: Para escrever esse livro, houve inspiração em algum autor, escritor?

M. Monte: Eu tenho várias inspirações, que são: Edgar Alan Poe, Jane Austen, Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector, Augusto dos Anjos, Jonh Green e Luís Fernando Veríssimo. Todos os clássicos eu gosto muito, sempre li desde pequena. As poucas vezes que eu escrevo de outras histórias, eu tento me colocar nelas para saber o que realmente eu teria sentido se eu tivesse vivido aquilo. Eu não tenho o menor problema de me colocar em situações absurdas.

BL: Quais os projetos que você tem para o futuro?

M. Monte: Estou trabalhando em um livro a parte, para ser publicado. A continuação do 27 páginas antes de dizer teu nome é Pra não falarmos nunca mais de amor e o próximo é Falávamos das Velhas Senhoras que Ainda Usavam Laquê, que estou trabalhando ainda. Até agora, os livros estão exatamente como tudo aconteceu, e no terceiro tenho a opção de dar um final fantástico e maravilhoso ou dar a realidade nua e crua e esperar essa realidade acontecer para escrever.

BL: Quais as suas expectativas para o lançamento desse livro?

M. Monte: A repercussão está muito maior do que o que eu imaginava. Já tinha muita gente falando que eu deveria publicar um livro, me profissionalizar e me tornar uma escritora. Quando eu assumi isso, que foi de 2012 para cá, fui começando a maturar a ideia de que iria me tornar escritora, me tornar aquilo que já sou. Eu fui começando a escrever de um outro jeito, a ter uma nova postura e a repercussão foi vindo naturalmente. O que acho mais motivador é que os meus amigos fazem questão de ler e comprar, de ir na minha ideia.

Colaboradores: Andrezza Albuquerque, Giovânia de Alencar e Ravelle Gadelha

Texto: Fernanda Façanha

2 comentários em “Jovem romancista lança primeiro livro de trilogia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s