A musicalidade que representava a luta

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50 anos de uma das épocas mais violentas da história brasileira é comemorado no próximo dia 31. A arte, em suas mais diversas vertentes, sofreu com a repressão e censura, como é o caso das músicas brasileiras do período. Marcados pelo sentido duplo e pelo jogo de palavras, artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Milton Nascimento encontraram na música uma maneira de lutar e protestar contra a ditadura.

“Pai afasta de mim esse cálice, de vinho tinto de sangue’’ ou “ Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não esperar acontecer”. Os trechos das canções expressam a realidade de repressão que sofria a sociedade e a necessidade de lutar contra o regime.

Muitos movimentos fortaleceram a luta contra a ditadura. Entre eles, os Centros Populares de Cultura (CPCs) e a União dos Estudantes (UNE). No campo artístico, não foi diferente. A música popular brasileira viu seu público crescer, ousando falar o que não era permitido à nação. O Tropicalismo com sua forma irreverente passou a incomodar o governo. Com a promulgação do AI-5, em 1968, a censura à arte institucionalizou-se.

A Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) foi criada e passou a vetar tudo que afrontava o regime vigente .Vários artistas passaram a produzir músicas de protesto com mensagens subliminares, metáforas e duplo sentido. Era o modo que encontravam para driblar o controle dos militares e questionar a política brasileira.

Os festivais de música, que eram transmitidos por algumas emissoras de televisão como TV Record, TV Rio, rede Globo e Rede Excelsior, consolidaram a música popular brasileira e relevam grandes nomes de compositores e intérpretes do país. Entre os artistas estavam Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Elis Regina.

O terceiro festival da música popular brasileira, transmitido pela Record, aconteceu no dia 21 de outubro de 1967 e foi um dos mais importantes na época. Na disputa estavam as músicas:

 

Alegria, Alegria – Caetano Veloso 

Roda Viva – Chico Buarque 

Ponteiro – Edu Lobo e Marilia Medalha

Domingo no parque – Gilberto Gil com a participação de Os mutantes

Maria, Carnaval e cinzas – Roberto Carlos

 

Texto: Camila Mathias e Victor Lima 

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