[Foca Nessa] A luta de um homem contra a escravatura no Ceará

dragão do marDragão do Mar e Seu Tempo é um livro que narra, por pequenos contos sem ordem cronológica, a história de Francisco José do Nascimento, mais conhecido como Dragão do Mar, que ao lado de diversos abolicionistas, tentou impedir o tráfico negreiro no Ceará.

Boa parte do livro de Audifax Rios remete a referências às famílias tradicionais cearenses, usando também nomes de ruas, igrejas e lugares de Fortaleza. Além disso, há menções de personalidades históricas, como Paula Nei, Luís Napoleão, José do Patrocínio, João Cordeiro e Maria Tomásia, que participaram ativamente das lutas abolicionistas no estado. Eles contribuíram posicionando-se, por meio dos jornais e artigos na grande imprensa da época, a favor da libertação dos escravos no Brasil.

O prefácio é do escritor e professor de História do Ceará Airton de Farias. Nele, é destacada a criatividade e o pioneirismo do autor ao tratar um dos temas mais complexos da historiografia do estado, a figura mítica de Dragão do Mar. Com isso, o prazer da leitura é adquirido por meio de textos e figuras que fundem numa composição harmônica e equilibrada.

O Personagem

Filho de Manuel do Nascimento e Matilde Maria da Conceição, Chico da Matilde nasceu em uma família de jangadeiros que, tradicionalmente, tinham o mar como fonte de sustento. Devoto de Nossa Senhora dos Navegantes, ele insistiu na ideia de que no porto do Ceará não se embarcaria mais escravos. Essa perspectiva permanece presente por todo o livro, que tem a liberdade como princípio transversal, perpassando toda a obra.

Com este feito, Francisco, passou a ser reconhecido como Dragão do Mar, pelo seu ato de bravura e coragem. “Não há força bruta neste mundo que faça reabrir o tráfico negreiro neste porto”, afirmou o biografado em diálogo com o abolicionista José do Patrocínio. Essa é a força contundente do personagem central, um homem simples, pescador, que aprendeu a ler com 20 anos, mas que possuía valores e assumia, de forma prática e firme, uma posição em favor da libertação dos escravos.

Texto: Fernanda Façanha

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