“Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”

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Será realizado, hoje (30), um tributo ao cantor e compositor cearense Belchior, de modo a ressaltar sua identidade regional e jovem pela presença de cantores como Laya Lopes, Nayra Costa, Jonnata Doll, Zé Maria Bel, Verónica Valenttino e Karina Buhr. O show, que faz parte da programação do evento Maloca Dragão, em razão dos quinze anos do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, levanta um novo público. Para além dessa nova geração de artistas, a música de Belchior também reúne uma nova geração de fãs. São jovens que, por curiosidade ou influência familiar, passaram a se identificar com as temáticas abordadas pelo poeta cearense.

Décadas se passaram e as canções de cunho politicamente profético de Belchior não se tornaram obsoletas. “A poesia dele transita no tempo, não pertence necessariamente a uma época.belchior-alucinação-1974 Especialmente no álbum Alucinação, há um diálogo direto com os jovens. Essa coisa de que viver é preciso, de que é necessário rejuvenescer e aceitar o novo”, explica a estudante de jornalismo Tatiana Alencar (21), que começou a escutá-lo porque esse era um costume de seu pai. “Ele gostava muito e eu, pequena, decorava as músicas sem entender seus significados. Por volta dos quinze anos, tirei a poeira dos CDs voltei a escutar. Fiquei fascinada por aquelas letras existencialistas”, relembra.

O estudante de audiovisual Iago Barreto (20) também dispôs de uma influência para ter um primeiro contato com as músicas de Belchior. Ele conta que o conheceu a partir de vinis do seu tio e, ainda, acentua a atemporalidade das composições. “Você começa a ouvir aquelas dez canções do álbum e todas elas formam um conjunto. Todas falam da questão de ser jovem naquela época e também serve para hoje. Ele fala que nós continuamos iguais aos nossos pais, os mesmos jovens cheios de sonhos, podados para se encaixar numa sociedade”, afirma.

Para Iago, as letras de Belchior são relevantes tanto à música quanto aos demais segmentos artísticos. “Para qualquer pessoa que trabalha com arte, o Belchior é uma construção importantíssima. Seu valor transcende entre o cult e o pop. É uma lenda que se tornou maior do que o próprio homem. Suas músicas falam dos jovens em qualquer período em que eles estejam se construindo. A letra é muito maior do que a própria canção”, destaca.

Texto: Milena Santiago 

Serviço

Tributo a Belchior

Horário: 22h

Local: Praça Verde

 

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