As mulheres e os nomes das ruas

 

Alguns endereços parecem comuns, mas certos nomes de ruas levam consigo uma história que pode passar despercebida. Por isso, preparamos uma série especial para rememorar quem são algumas das pessoas que nomeiam vias importantes de Fortaleza.

Percorremos, nessa semana, caminhos para, por meio de ruas, apresentar algumas mulheres relevantes na construção da história da cidade e do país. Abaixo você conhecerá um pouco das biografias dessas revolucionárias.

Maria Tomásia

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Foto: Pedro Vinícius

Sua atuação junto ao movimento em prol da liberdade dos escravos tornou-a reconhecida como a alma feminina da campanha pela abolição. Considerada excelente oradora, embora não Maria Tomasiativesse muitos estudos, ocupou o cargo de presidente da sociedade organizada Cearenses Libertadoras, que tinha como objetivo convocar a valentia das mulheres contra o racismo. Costumavam sair às ruas em busca de cartas de alforria.

Em uma reunião na chácara de José do Amaral, vice-presidente da Cearenses Libertadoras, no Benfica, na qual esteve presente José do Patrocínio, uma das figuras mais importantes dos movimentos Abolicionista e Republicano do país, entregou cartas de alforria a seis escravos. Muito fez, muito ajudou, pregou o bem e o amor, mas passa quase que ofuscada da memória brasileira.

Ana Néri

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Foto: Pedro Vinícius


Ao irromper a Guerra do Paraguai, em dezembro de 1864, Ana requereu ao presidente da província da Bahia, o conselheiro Manuel Pinho de Sousa Dantas, que lhe fosse facultado acompanhar os filhos e o irmão durante a guerra, ou ao menos prestar serviços nos hospitais do Rio Grande do Sul. Deferido o pedido, em agosto de 1865, partiu de Salvador incorporada ao décimo batalhão de voluntários, na função de enfermeira.

Durante toda a campanha, prestouAna Néri 2 serviços ininterruptos nos hospitais militares, bem como nos hospitais da frente de operações. Viu morrer na luta um de seus filhos. Terminada a guerra, regressou à sua cidade natal, onde lhe foram prestadas grandes homenagens. O governo imperial conferiu-lhe a Medalha Geral de Campanha e a Medalha Humanitária de primeira classe. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 66 anos de idade, em 1880.

Em 1938, Getúlio Vargas assinou o Decreto n.º 2.956, que instituía o Dia do Enfermeiro, a ser celebrado em 12 de maio. Nesta data, desde então, são prestadas homenagens especiais à memória de Ana Néri em todos os hospitais e escolas de enfermagem do País.

R. Barbara de Alencar

Foto: Pedro Vinícius

Antes de ser sepultada, no dia 28 de agosto de 1832, em Campos Sales, Barbara foi uma das primeiras mulheres a envolver-se em política. Foi presa em Fortaleza, no ano de 1817, por participar de movimentos em prol da Independência do Brasil, além de ter liderado o movimento que proclamou a República do Crato, sendo considerada a heroína da cidade.

A Corte a manteve presa por quatro anos, deslocando-a para várias prisões em Fortaleza, Recife e Salvador. Barbara de AlencarGanhou sua liberdade em 17 de novembro de 1821, por ocasião da Anistia Geral. Em 1824, seus três filhos entram na Confederação do Equador, rebelião de caráter republicano que ocorreu na região Nordeste. Nesta, ela viu morrer dois dos seus filhos, Carlos de Alencar e Tristão Gonçalves de Alencar Araripe.

Texto: Cidney Pinto

 

 

 

 

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