Unifor recebe Unity Tour

Thiago_Gadelha
Foto: Thiago Gadelha

Na última terça-feira (03), a Universidade de Fortaleza recebeu o Unity Tour, evento realizado pela Unity Technologies para divulgar seu software de ferramentas digitais para produção de games. Dividido em dois workshops (um voltado para a criação de jogos 3D, outro para jogos 2D), o acontecimento reuniu 24 convidados, entre alunos e funcionários da Universidade, e recebeu o paulistano Jay Santos, único representante da empresa na América Latina.

O evento ocorreu no Mídia Interativa do Núcleo Integrado de Comunicação, com organização do professor coordenador da célula, Lima Júnior, e Nílbio Thé, professor do Curso de Especialização em Animação e Jogos Eletrônicos.

Jay Santos é o responsável por apresentar o produto às universidades e empresas, despertando o interesse para o desenvolvimento de jogos nessas instituições, e cumprindo o principal objetivo do programa, que é permitir que qualquer pessoa, independente da experiência com programação, consiga criar um game. O Labjor teve a oportunidade de realizar uma entrevista com Jay Santos. Confira o resultado abaixo:

O que você acha do mercado brasileiro na produção de games?

O mercado brasileiro está crescendo, né? Ele é um mercado pequeno comparado à America do Norte, Europa, Ásia. Mas está crescendo, a gente está começando a ver empresas que estão ganhando um destaque maior, criando jogos que a gente chama de entretenimento, e não advergames, que é jogo que a gente faz para uma empresa, contratado, então não existe muito risco de fracasso porque a empresa já te pagou para fazer o jogo. E é natural que essas empresas com sucesso vão crescendo e gerando oportunidades para as pessoas que estão entrando na área. Mas, de qualquer maneira, acho que as pessoas que estão estudando jogos, que pretendem ingressar nessa carreira, elas têm que ver também a possibilidade de começar a fazer os seus próprios jogos e ter esse espírito mais empreendedor. Você criar seu próprio jogo, publicar e tentar ter sucesso. Não só procurar uma vaga em uma empresa.

O Unity ajuda a pessoa a ser descoberta?

Sim, até porque as empresas geralmente procuram pessoas com experiência, e isso para elas significa portfólio, você ter jogo feito e publicado.

Os programadores brasileiros precisam se arriscar mais?

Não é se arriscar mais, é considerar também essa alternativa. Existe muito essa visão de que eu vou fazer jogos e vou arranjar um emprego em uma empresa. O mercado ainda é pequeno e a competição é muito grande, então você também considerando essa alternativa você tem mais um caminho para seguir.

Qual a diferença da Unity nesse aspecto?

A Unity é uma ferramenta que tem bastante aceitação aqui, na América Latina, principalmente no Brasil. Tem um estudo feito recentemente por uma equipe de pesquisadores da USP que mostra que 85% das empresas brasileiras no ramo de jogos utilizam a Unity. Por que essa aceitação? Primeiro, porque a Unity tem uma versão grátis, que qualquer pessoa pode entrar no site (unity3d.com), baixar e fazer o jogo para Linux, iOS, Android, Windows, entre outros. E publicar esse jogo e ganhar dinheiro sem dever nem um centavo para a Unity. Para a pessoa que está começando a desenvolver, ela não tem muito dinheiro e não pode pagar muito por uma licença, então precisa de um software de desenvolvimento e essa licença grátis já é uma ‘mão na roda’. A Unity é uma ferramenta que é muito fácil de aprender, ela nasceu com o intuito de permitir que qualquer pessoa, independente da experiência com programação, consiga fazer um jogo. E, finalmente, a comunidade é muito grande, você encontra muito conteúdo, tutorial, informação, então ela facilita ainda mais esse aprendizado. Esse que eu acredito que seja o principal diferencial da Unity, a comunidade de usuários.

E a produção de jogo independente?

Isso acaba sendo uma consequência de você ter muitos usuários, a produção acaba crescendo. Mas, sem dúvidas, a gente tem muitos jogos. Nem sabemos quantos jogos feitos em Unity existem no mundo, porque é muita coisa. Por exemplo, ontem (02 de junho), houve o evento da Apple, oWorldwide Developers Conference, em que há uma premiação anual dos melhores jogos, e dois terços dos jogos premiados ontem, foram feitos em Unity, é um número bastante significativo.

Qual a diferença entre a versão gratuita e paga, da Unity?

A versão paga tem algumas funcionalidades que não estão na versão gratuita. Mas essas funcionalidades são principalmente de otimização de performance. Não é nada que seja impeditivo de fazer um jogo na versão grátis. A gente tem casos de sucessos de jogos feitos nesta versão, inclusive. Um outro detalhe é que na versão grátis, quando você roda o jogo, você tem uma tela inicial que tem o logo da Unity, que aparece por uns dois segundos, mas depois você pode colocar o que quiser, logo da empresa, do jogo, enfim.

Uma das características da Unity é a facilidade. Você acredita que no futuro, para produzir games nos mais variados dispositivos, vai ser mais acessível para todos?

Eu acredito que já é acessível para todos. Antigamente, o grande problema era que, para fazer um jogo, você precisava ter uma grande experiência em programação, então a ferramenta era barreira. Não adiantava nada você ter aptidão para desenvolvimento de jogos, você ter uma ideia fantástica, se você não soubesse programar você estava bloqueado naquele ponto. Uma ferramenta como a Unity permite que você efetivamente faça um jogo sem escrever uma linha de código. A gente tem casos de sucesso, por exemplo o jogo super famoso Zombie Evil. Ele foi feito por dois estudantes de uma Universidade de Artes na Austrália, eles nunca tinham escrito uma linha de código na vida. A gente tem casos de crianças de nove anos fazendo jogos em Unity. Eu acredito que hoje já é possível você, independente da formação, fazer um jogo com Unity.

Esta facilidade de manuseamento, para o mercado, não é ruim, visto os que já sabem desenvolver?

Não, pelo contrário. É excelente, porque antigamente o processo de programar era muio mais demorado. A ferramenta, ou a falta dela, dificultava. Antes, você tinha processos que eram complicadíssimos, que você demorava dias ou semanas para resolver. No meu caso, trabalhei com desenvolvimento de 2003 à 2007, e lá para 2004 eu estava trabalhando em um jogo que precisava de uma questão de física meio complexa, era uma bolinha que batia em um personagem, e eu passei, literalmente, duas semanas para resolver esse problema, para conseguir chegar em uma fórmula trigonométrica que resolvesse. Hoje, isso é dado na Unity. Você joga bolinha no personagem e a bolinha rebate, porque já tem uma trigonometria de física por trás que se encarrega de fazer isso. Então, você para de se preocupar em achar uma fórmula trigonométrica e você se preocupa em fazer o seu jogo divertido. Até para quem tem experiência a Unity ajuda bastante.

Você, ao visitar várias universidades, acha que em Fortaleza os alunos estão bem encaminhados na área de desenvolvimento de games?

Eu acredito que sim. Existe muita aptidão e habilidade técnica, e eu acho que, além disso, deve existir o conhecimento de negócios, isso não só em Fortaleza, mas no Brasil inteiro. As universidades estão começando a se dar conta de que é necessário, que elas precisam ensinar isso para os alunos, mas é algo que ainda falta, de pensar como ganhar dinheiro fazendo jogo. É necessária essa preocupação.

Texto: Giovânia de Alencar e Gustavo Nery

Colaboração: Edinardo Coelho

 

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