Entrevista com Fábio Pizzato: “Jornalismo é um exercício diário”

Entrevista Fábia Pizzato
Foto: Thiago Gadelha

O jornalista e professor de jornalismo esportivo Fábio Pizzato esteve no Labjor e cedeu uma entrevista para o blog. Profissional referência na área, apresentador do Globo Esporte local há um ano,  ele discorreu sobre experiências vividas em sua carreira, esboçou uma análise do jornalismo de esportes e comentou a atual situação do futebol brasileiro.

Labjor: Quais foram as mudanças na maneira de fazer jornalismo esportivo?

Fábio Pizzato: Você não pode tratar uma notícia de esporte com a mesma seriedade que é tratada uma notícia de política. De alguns anos para cá, a gente tem visto um jornalismo esportivo com o dever de informar, mas com a missão de entreter também. Começou pelo Tadeu Schmidt, com um quadro no Fantástico, usando uma linguagem feita para todos, que muitos homens e mulheres gostam de assistir, mesmo não gostando de esporte. Depois veio o Thiago Leifert, que trouxe uma ideia inovadora para o Brasil, colocar essa irreverência no telejornalismo esportivo diário.  Aqui, fazemos algo diferente, ainda possuindo algumas semelhanças. Eu assumi ano passado a apresentação do Globo Esporte e encaixamos um pouco da “gaiatice” do cearense no programa, do humor da nossa terra.


Labjor: Quais as diferenças do jornalismo esportivo encontrado na televisão e na internet?

Fábio Pizzato: Na televisão, existe todo um capricho em relação à edição de imagem, informação, musicalidade e transação dos videotapes, principalmente nesse contexto do entretenimento. A internet é mais rápida, prática, seca e com, no máximo, uma foto e pronto. Na internet, existem mais riscos de errar se não houver o zelo necessário com as fontes ou se quer “furar” alguém com alguma informação.  Acho que é uma diferença importante. No meu blog, não quero me deter a informar. Eu trabalho com opiniões, com crônicas, que abrangem uma qualidade poética, e com música. Faço diferente porque o mercado está cheio de sites e blogs só com notícias.

Entrevista Fabio Pizzato
Foto: Thiago Gadelha

Labjor: Qual cobertura você considerou mais difícil de ser feita?

Fábio Pizzato: Eu cobri os jogos Pan-Americanos pela Record, foi difícil, tive algumas dificuldades devido à organização tanto da empresa quanto do próprio evento. Foi muito complicado também fazer a cobertura do Rally dos Sertões. O primeiro que eu cobri foi em 2002. Eu dormia onde dava. Muita coisa era improvisada, tinha que lidar com o cansaço e com a poeira. Eu chegava rouco, não dava para gravar e a matéria deveria ser entregue mesmo assim.


Labjor: Como você analisa o futebol brasileiro atualmente?

Fábio Pizzato: Nós estávamos acostumados com uma seleção brasileira que ganha títulos, com um futebol-arte. De repente, estamos jogando um futebol de faculdade pequena, que não deixa de ser bom, mas deixou de ser maravilhoso e de ter alguns diferenciais. E sim, isso é uma crise. Se a seleção tivesse ganhado, o meu discurso não seria válido, porém era nítido que o Brasil jogava por uma bola, com o talento de uma só pessoa para resolver um lance. Se tivesse jogado muito bem e perdido, talvez não houvesse essa renovação toda. Enfim, futebol é uma loucura!

 

Texto: Camila Mathias

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