Debate sobre o novíssimo cinema brasileiro encerra as atividades do XVIII Socine

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Karim Aïnouz propôs a todos os presentes no encerramento do XVII I Encontro Nacional da Socine, último dia 10 de outubro, buscar compreender a definição do novíssimo cinema latino-americano. De acordo com ele, é possível que se adequem a esse estilo obras recentes que discutam a sexualidade no cinema, levando à fundação da primeira premiação de cinema LGBT no Brasil, o Prêmio Fênix, assim como aquelas que assumam novos gêneros cinematográficos, devido a relação mais livre e irreverente de seus realizadores com a obra. Em relação ao tema proposto por seu colega de mesa, Aïnouz afirmou que o mérito é resultado da congruência entre os esforços de formação e a autonomia dos meios de produção do cinema: “Nunca foi tão fácil fazer e nunca foi tão fácil não ser visto. Há pouca discussão política sobre as possibilidades de acesso à produção [de cinema]“, afirmou.

Em seguida, Alexandre Veras discorreu a respeito da história e destaques do cinema cearense, além de apresentá-lo como uma vitrine de divulgação do Ceará. De acordo com ele, o novíssimo cinema traz a produção cinematográfica a um novo contexto, com diferentes articulações utilizadas pelos realizadores. Veras, que dirigiu o filme “Linz – Quando Todos os Acidentes Acontecem” , lançado em 2013, também problematizou a relação entre o mercado de cinema e o mérito das produções, colocando assim um novo tema para discussão. “Trabalhar com audiovisual implica ter mercado”, afirmou.

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A mesa com os dois cineastas cearenses aconteceu às 17h30min da sexta-feira, 10, no Teatro Celina Queiroz da Unifor, e foi mediada por um dos fundadores da associação, José Gatti. Ao início da mesa, o professor coordenador e mestre de cerimônias da ocasião, Nílbio Thé, agradeceu à Socine por aceitar a recepção realizada pela Universidade, assim como aos seus alunos e aos estudantes membros das células de assessoria de imprensa e jornalismo do Núcleo Integrado de Comunicação (NIC). O presidente dos associados, Afrânio Catani, também prestou gratulações a Thé e à professora organizadora, Ana Quezado.

Ao final da mesa, os convidados conversaram com a imprensa sobre a importância da Socine e sobre sua XVIII edição. De acordo com Alexandre Veras, “há um saldo muito positivo, tanto da conversa como um pouco do próprio propósito do encontro, que é colocar a produção [cinematográfica] como centro para os estudos acadêmicos”. Já Karim Aïnouz manteve foco sobre a realização do evento em Fortaleza: “é super importante ter um monte de gente estudando cinema e sua teoria [no Ceará], e acho interessante que essas pessoas sejam confrontadas com o que está sendo feito no país como um todo. E é caro para estudantes se deslocar, então é importante que esse debate tenha acontecido aqui”, concluiu o diretor do longa-metragem “Praia do Futuro” (2014).

Texto: Gustavo Nery

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