Bicicletas são adotadas como forma de mobilidade urbana em Fortaleza

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Apesar de ser um meio de transporte secular, a bicicleta perdeu espaço no avanço das cidades. Ruas e avenidas se tornaram inviáveis para quem gosta de usar este meio de locomoção. São apontadas diversas vantagens pela sua utilização, como o baixo custo de manutenção e o fato de ser um meio de transporte não-poluente, além de trazer benefícios à saúde e ocupar pouco espaço no meio público. Mas também existem questões adversas, tais como o risco de acidentes, somado à precariedade do sistema locomotivo que existe hoje e à falta de educação recorrente em trânsitos com a maioria de veículos automotores. Pelos motivos enumerados, muitos deixam de utilizar a bicicleta como alternativa.

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Maurício e sua bicicleta.

Planos e obras surgiram a fim de favorecer os ciclistas de Fortaleza, mas ainda existem problemas a serem solucionados, como enfatiza o médico Maurício Mendes, 44, membro do grupo noturno Sport Bike da capital. “A cidade tem se tornado mais acessível com os recentes investimentos em ciclofaixas. No entanto, ainda falta infraestrutura”, ressalta. “É como se a prefeitura imaginasse que um teletransporte nos leva ao inicio da ciclofaixa e nos tira de lá quando ela termina no meio do nada”. Como exemplo, Maurício cita a ciclofaixa da avenida Santos Dumont, que termina próximo a um túnel e não oferece nenhuma alternativa segura para prosseguir a partir dali.

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Ciclofaixa na Avenida Rui Barbosa. Foto: Thaís Mesquita

Várias ciclofaixas estão sendo construídas na cidade, principalmente no eixo Centro-Aldeota, como da Avenida Rui Barbosa, que foi entregue no dia 20 de outubro. “As pessoas precisam aprender a conviver com todos os tipos de transportes e entender que as bicicletas são alternativas para a locomoção”, comenta Célia Moreira, 55, que mora no local. “Meu filho já anda pelas novas ciclofaixas, mas ainda tenho medo pela irresponsabilidade dos motoristas e motoqueiros que andam em cima das faixas para bicicletas como se elas não estivessem ali”, conta a moradora.

Andréia Bello, 51, dona de um mercado na avenida culpa a falta de planejamento com a implantação da faixa. “A ciclofaixa não é ruim, mas o problema do estacionamento na cidade só se agravou. Foram seis quilômetros de estacionamento embora. Fica complicado até na hora de abastecer a loja”, critica.

De bike para a Unifor

Alguns estudantes vão para a Unifor de bicicleta, como o aluno Jônatas Mota, 19, que cursa Psicologia na Universidade. Há dois meses, ele faz o percurso do Bairro de Fátima para a Universidade. “Gosto de andar de bicicleta. Antes era só uma forma de lazer para mim, mas depois de um tempo, mesmo contra a vontade dos meus pais, passei a utilizar como meio de transporte para ir à faculdade. A cultura do carro infelizmente ainda é muito presente no cotidiano”, lamenta. “No meu percurso não existe uma ciclofaixa ou ciclovia. Eu preciso ficar esperto sempre, olhando à minha volta, não só para frente”.

Jônatas ressalta a importância de utilizar os equipamentos necessários, a fim de preservar a saúde. Jônatas utiliza capacete, roupa térmica e óculos de sol e conta que faz o trajeto em torno de 20 a 30 minutos. Ele teve a experiência de pegar ônibus e cronometrar o tempo e, em muitos casos, chegaria mais rápido de bicicleta. O estudante acredita que com as novas ciclofaixas são uma conquista graças à pressão social, mas a falta de conscientização da população ainda é o grande problema para quem quer fazer uso desse meio.

Bicicletas compartilhadas

O aluno Unifor se beneficiará com a instalação de 40 estações de bicicletas compartilhadas na cidade. Uma dessas estações faz o trajeto Iguatemi – Unifor. O prazo de entrega de algumas estações ainda não está definido, mas 15 das 40 estarão disponíveis à população em novembro. O serviço funcionará de 5h as 00h, durante todos os dias da semana.

Texto: Nícolas Brandolim

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