“Eu não acredito no mito da imparcialidade jornalística”

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Os componentes da mesa Hamilton Nogueira, Daniela Nogueira, Melissa Rodrigues, Sandra Helena, Adísia Sá, Artur Pires e Alberto Perdigão. Foto: Divulgação

A liberdade de imprensa e a imparcialidade jornalística foram temas que nortearam o evento de finalização da disciplina Ética, Cidadania e Jornalismo de 2014.2, que aconteceu na manhã desta sexta-feira, 21, Auditório da Biblioteca da Unifor. O seminário consistiu na oitava edição do observatório “E Eu Com Isso?” e teve como principal proposta debater o assunto “O Jornalista na Urna: Meu Voto é Secreto?”, temática que ganhou destaque num ano em que as eleições colocaram em pauta a manifestação da imprensa a respeito dos candidatos. O debate contou com a presença dos jornalistas Daniela Nogueira, Artur Pires, Hamilton Nogueira, Alberto Perdigão e Adísia Sá.

A palestra se iniciou com a apresentação das pesquisas realizadas pelos alunos durante o período eleitoral, além de apontar diferenças entre o jornalismo opinativo e o informativo. Elas tinham como foco elucidar a abordagem política de jornais brasileiros antigos e atuais, a função do Código de Ética dos jornalistas brasileiros e a política adotada por certas empresas midiáticas em seus manuais de conduta.

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Ao centro, o editor e idealizador da Revista Berro, Artur Pires. Foto: Marília Cândido

O debate teve início com a opinião do jornalista Artur Pires sobre a livre expressão de voto. Ele se mostrou a favor da manifestação pública em apoio a partidos e candidatos. “O jornalista tem sim todo e qualquer direito de se posicionar politicamente”, declarou. Pires salientou, ainda, a existência de grandes grupos midiáticos que agem por interesses próprios e destacou o “mito da imparcialidade”, pois acredita que atualmente os jornalistas não conseguem e nem devem ser neutros.

Em contraponto, a ombudsman do O Povo, Daniela Nogueira, acredita que o profissional de jornalismo deve manter um comportamento imparcial para não afetar a credibilidade de seu trabalho e da empresa onde trabalha. “É preciso saber separar militância do trabalho profissional”. Ela frisa que os jornalistas devem ter opiniões pessoais, contudo, declarar suas ideias e concepções é inapropriado.

Alberto Perdigão, jornalista e professor da Unifor, ressaltou a diferença entre liberdade de imprensa e “liberdade da empresa” e afirmou que as pessoas constantemente confundem censura com controle econômico e social da mídia. O professor considera importante a existência de leis ou normas para regulamentar empresas e grupos midiáticos, para que estes cumpram suas funções de forma apropriada e ética, ainda mais em período eleitoral, quando foram realizadas as pesquisas as quais ilustraram o observatório.

Finalizando a mesa, Adísia Sá reforçou a importância da escolha certa da profissão, seja em qualquer área, além de ter garra e determinação para alcançar seus sonhos. “Se eu não fosse o que sou hoje, seria infeliz”, declara. Adísia é jornalista há 56 anos e foi fundadora do curso de jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), além de ter atuado nos corpos docentes de diversas universidades cearenses, até ser nomeada presidente da Associação Cearense de Imprensa (ACI). Ao final das discussões, os mediadores deram início ao momento de interação com a plateia, com espaço para perguntas e considerações do público.

Texto: Matheus Facundo e David Nogueira

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