Frida Y Diego: o triunfo da sensibilidade

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Foto: Divulgação

Os dias 10, 11 e 12 de abril marcaram o palco do teatro Celina Queiroz pela delicadeza com que o diretor Eduardo Figueiredo conduziu a representação da história de um dos casais mais influentes do século XX. A montagem de “Frida Y Diego” destacou-se pela destreza de Leona Cavalli e José Rubens Chachá ao transmitirem, no despudor dos diálogos, o legado de liberdade e paixão deixado pelo casal.

Frida está presente na obra de Diego, assim como Diego está presente na obra dela, porque havia uma constância entre os dois, uma admiração recíproca”, ressalta o ator José Rubens Chachá sobre a visceral relação que reverberou, principalmente, para a produção artística. Essa influência de ambos é frequentemente refletida nas cenas, como quando Diego mostra Frida em primeiro plano numa pintura, ainda que em segundo plano ele esteja de mãos dadas com outra mulher.

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Leona Cavalli, Daniel Rocha e José Rubens Chachá durante entrevista concedida a WebTv/Foto: Thaís Mesquita

As convicções políticas do casal são expostas com bastante rigor: os ideais comunistas de Rivera ao pintar Lenin no painel do Rockefeller Center, com recusa ferrenha a substituí-lo por Abraham Lincoln; a antecipada consciência de autonomia feminina por Frida. “Muito antes de se falar nos direitos femininos, politicamente, Frida já fazia topless, já defendia o direito de voto da mulher, ensinava seus alunos a pintarem nas ruas e mantinha uma relação aberta com Diego”, enfatiza a atriz Leona Cavalli.

A direção de arte do espetáculo alia projeções, cenário e figurino à música executada ao vivo, criando uma ambientação de cores fortes e poesia que remete ao patriotismo dos artistas mexicanos e ao mesmo tempo evidencia, por meio das inúmeras cenas em que bebem e dançam juntos, o teor festivo de seu relacionamento.  

Dois pontos marcantes da narrativa estão no humor escancarado das falas libidinosas e a forte carga emocional tão característica do amor dos personagens. A traição de Diego com a irmã da esposa, os abortos sofridos por Frida e a descrição do acidente que comprometeu sua saúde até o último segundo de vida com dores incessantes, compreendem momentos catárticos do enredo, quando Diego diz: tua vida é minha vida!”. Realiza-se, assim, a plenitude de um companheirismo exercido pelos dois, o traço mais forte de suas trajetórias.

Frida Y Diego” é, sobretudo, uma obra que revela o íntimo de um afeto que se consolida na sede por compartilhar vida, a importância de um na construção humana do outro é inegável e sobrevive na memória através de uma peculiaridade nobre: sua sinceridade.

Quer saber mais? Confira abaixo a entrevista que os atores Leona Cavalli e José Rubens Chachá concederam a WebTV:

Texto: Andreza Reis

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