[Claquete] A improvável amizade de Mary & Max

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Baseado numa história real, Mary & Max retrata 20 anos de amizade por correspondência entre Mary Daisy Dinkles, uma menina solitária, de oito anos, que mora na Austrália, e Max Horovitz, um senhor de 44 anos, que mora em sozinho em Nova Iorque, e sofre de síndrome de Asperger.

Mesmo vivendo em mundos aparentemente muito diferentes, os dois têm muito em comum: desde o amor por chocolate à vida solitária que eles levam. Na troca de cartas entre os dois, Mary conversa sobre sua rotina, revelando o bullying que sofre na escola e sua relação conturbada com seus pais.

Enquanto isso, Max revela seus únicos três objetivos na vida: conseguir a coleção completa de bonecos dos Noblits, ter uma fonte de chocolate e encontrar um amigo. O filme aborda a dificuldade de Max para se relacionar com as pessoas, devido ao seu problema.

A síndrome de Asperger, caracteriza-se por alterações, sobretudo na interação social, na comunicação e no comportamento. Os portadores desta síndrome se isolam e limitam os seus interesses a determinados temas e assuntos, atitude que prejudica ainda mais a relação com o outro.

Em uma cena, Max descreve como é ter a síndrome: “Eu acho o mundo muito confuso e caótico, porque minha mente é literal e lógica. Eu tenho dificuldade em entender a expressão facial das pessoas. Eu tenho a letra feia, sou hipersensível, sou desajeitado. E, finalmente, tenho problemas em expressar minhas emoções”.

A medida que o tempo passa, a amizade dos dois passa por altos e baixos. Max mantém-se solitário e, após um ataque de ansiedade, é internado. Max ganha na loteria, Mary vai para universidade e lá decide estudar a síndrome do amigo, com o objetivo de descobrir sua cura. Mary se apaixona, casa, engravida e passa a viver sua vida adulta. É neste período que eles perdem o contato entre si.

Um dos recursos utilizados pelo diretor é a diferenciação de cores entre o mundo dos dois: O de Mary é representado em tons de Marrom e o de Max em tons de cinza, que simbolizam o sentimento de solidão e desamparo que os dois compartilham. A medida que o mundo dos dois se aproxima, há uma mescla das cores.

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Apesar de ser uma animação, o filme não foi feito para crianças, ele trata de assuntos como alcoolismo, depressão e suicídio. É primeiro longa do diretor Adam Elliot, conhecido por seus curtas em Stop-Motion com bonecos de argila e por sua habilidade de tirar lições de situações cotidianas e de temas delicados. É impossível não se comover com esta bela história de amizade e amor.

Texto: Mariana Evangelista

Ficha Técnica:

Direção: Adam Elliot

Ano: 2009

País: Austrália

Gênero: Animação/Drama

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