[Entrevista] Professor e cineasta cearense analisa o cinema nacional

19 de junho de 1898, a data marca as primeiras imagens registradas no nosso país no século XIX. O diretor italiano Alfonso Segreto filmou cenas da baía de Guanabara a bordo de um navio e essa viria a ser a primeira cinematografia em território nacional. Em homenagem a esse dia, entrevistamos o diretor e roteirista cearense Glauber Filho. Formado pela UFC em jornalismo, Glauber dirigiu filmes como As mães de Chico Xavier e Bezerra de Menezes: o diário de um espírito. Ele fala sobre a situação do cinema brasileiro.

editada

Na foto, o professor e cineasta Glauber Filho

Como você vê o cenário atual do cinema brasileiro?

Eu acho que a gente tem um cenário bem promissor, estamos com histórico de várias políticas de desenvolvimento do setor por parte do governo federal e algumas coisas do governo estadual, então isso fomentou muito a industria. O Brasil é um dos poucos países que produzem conteúdos audiovisuais, cinematográficos, e a gente vê filmes bem competitivos em relação ao cinema norte-americano. É lógico que não chegamos ainda, não diria de qualidade, mas em uma dimensão de toda a lógica de produção e de distribuição do filme como tem a máquina americana, mas se consegue ver uma evolução do nosso cinema conquistando esses vários espaços, um cinema bem diverso que por outro lado também representa um valor artístico e cultural para o país.

Sempre existiu um certo preconceito por parte do público. Hoje isso mudou?

Eu acho que o preconceito também evolui e passa. Houve um período em que o preconceito vinha  por conta dos filmes de pornochanchadas. Eram realmente filmes de baixa qualidade e tinham um conteúdo imoral, que influenciava na opinião, então isso fixou na memória do público. Mas eu acho que o problema mesmo é um processo de aculturação dos Estados Unidos, nós somos muito dominados  pela cultura norte-americana, em tudo. Tudo tem que ser americano e eu acho isso terrível. Não que você não possa ter um gosto diverso, mas acho que tem um grande problema com o sujeito que só gosta disso.

No que o cinema brasileiro se inspira hoje?

Acho que o cinema brasileiro é bem diverso, tanto que a gente vai ver adaptações, vai ver filme que buscam mais a ficção, os que já ensaiam a ficção científica, dramas, romances. Se fosse para generalizar, acho que são filmes com um maior contato com a realidade. São histórias reais e possíveis, comuns. É uma característica do cinema brasileiro de uma maneira geral. Ele é muito factual. Essa conexão com a realidade, é quase que documental.  

Que filmes você indicaria para quem quer conhecer o melhor do cinema brasileiro?

Isso depende da pessoa. Eu não indicaria nenhum filme, eu indicaria ter curiosidade, tirar o preconceito e procurar os filmes, porque são muitos e eles não conseguem a distribuição massiva e são filmes maravilhosos. É uma contradição porque, às vezes, o público tem uma ideia do cinema brasileiro de uma forma preconceituosa, mas ele não tem, por exemplo, uma ideia da série televisiva de uma forma preconceituosa.

Texto: Deborah Tavares e Mariana Evangelista

Foto: Letícia Carvalho

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