[ Foca Nessa ] A cidade imortalizada nos livros

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Nossa cidade passou por muitas transformações ao longo de seus 288 anos.  Suas ruas, esquinas, praças, monumentos e praias, que encantam tanto o povo cearense, quanto os turistas, contam histórias. Para ressaltar toda essa beleza, o Labjor selecionou alguns livros encontrados no acervo da biblioteca da Unifor para promover uma viagem no tempo entre fotografias − papéis com a capacidade de eternizar um momento.

Docas do Mucuripe (2010)

Este ensaio fotográfico reúne fragmentos do cotidiano do Porto do Mucuripe, primeiro local de desembarque de europeus no atual território brasileiro. Revela-se o dia a dia dessa elevada ponta de terra onde avança o mar, 1cais de chegadas e partidas da história econômica do Ceará.

Saindo do sofisticado e passando pelo mais singelo, os fotógrafos seguem para a Vila de Pescadores, um dos lugares mais interessantes e tradicionais de Fortaleza. O lugar serviu de inspiração para versos belíssimos de Belchior e Fagner, imortalizados na voz de Elis Regina. As imagens encontradas no livro expõem alguns dos maiores patrimônios dos cearenses e seu real valor cultural.

Autor: Paulo Gutemberg

A Princesa do Norte (1939)

Um resumo completo que conta a história, desde a descoberta do Ceará pelos europeus,3 passando pelo povo cearense, até o surgimento do que hoje conhecemos como Fortaleza. Com fotografias carregadas de valor histórico e desenhos de diferentes cores e tipos, percebe-se a formosura de traço simétrico, os parques arquitetônicos, o pitoresco das praias e o esplendor dos dias ensolarados.

Autor: Raimundo Girão

Fortaleza Antiga (1998)

O autor nos convida para encontros 4em esquinas e praças, retratando o modo de vestir e de agir das pessoas, pontuando as mudanças nos nomes de lugares encontrados, ainda hoje, em nossa cidade repleta de tradições. Nas décadas de 40 e 50, a Praça do Ferreira, no encontro da Rua Major Facundo com a Guilherme Rocha, era conhecida como Esquina da Broadway. Na mesma época também ficou conhecida como Esquina do Pecado, pois era o local dos flertes, onde as mulheres provocavam o delírio dos rapazes que se postavam ali.

Autor: Marciano Lopes

Fortaleza 1910 (1980)

Um passeio em preto e branco por uma cidade pacífica e cheia de poesia, diferente da nossa6 realidade atual. Cheio de praças ajardinadas, ruas e avenidas, templos, escolas, edifícios públicos, e todo o costume de mais de um século atrás. As fotografias de vários lugares reunidas nesse álbum foram editadas pela Casa Boris Frères & Cie, firma que acompanhou o desenvolvimento da nossa Cidade e do nosso Estado.

Autor: Universidade Federal do Ceará

O Centro Histórico de Fortaleza

O ensaio de Maurício, rico em cores,transita por edificações e logradouros do final 2do século XIX até os anos 60 do século posterior. O objetivo desse passeio é de conhecermos, mais de perto, nosso patrimônio arquitetônico para dar-lhe seu valor histórico, como elemento da nossa formação cultural. Com esse livro, é possível perceber a relação de identidade entre os moradores e os lugares históricos de Fortaleza.

Autor: Maurício Cals

 

Texto: Cidney Sousa

Fotos: Alana Oliveira

 

[Claquete] Sutileza e agressividade num drama familiar

A Busca - Filme 2011 sofilmesoline
A Busca
é uma obra de lançamentos – Luciano Moura estreia como diretor de longa-metragens, e Brás Antunes, filho do cantor Arnaldo Antunes, como ator – onde os três personagens centrais oscilam brilhantemente entre agressividade e fragilidade.

O filme conta a história de Theo Gadelha (Wagner Moura), um médico bem-sucedido e um tanto desequilibrado emocionalmente. Theo que, embora num processo de separação, procura oferecer boa vida ao seu filho Pedro; afunda-se em conflitos familiares quando o adolescente recusa uma proposta de intercâmbio.

Pedro está prestes a fazer quinze anos e recebe por correspondência um presente de aniversário do avô paterno: uma cadeira. Ao vê-la, Theo perde o controle, pois tem uma distante relação com o pai. O menino diz à mãe que vai viajar no fim de semana com um amigo, mas Theo e Branca descobrem que ele fugiu.

Desesperados, os dois procuram pelo filho, mas só depois de uma ligação começam a ter pistas: o responsável por um sistema de adoção de cavalos pergunta como está o processo de adaptação do animal que Pedro havia alugado. A busca por Theo começa daí.

Diante da dor, da incerteza sobre a vida do filho, Theo segue guiado por rastros que vão acentuando o drama paterno. Neste percurso, o protagonista vai conhecendo o filho por meio de suas conversas rápidas com pessoas pelas quais cruzou, em sua passagem com o cavalo.

Abobado diante das marcas deixadas, ele encanta-se pelo filho que, apesar de próximo, era um desconhecido. Entre desenhos, amores e conversas, Theo redescobre o amor – pela mulher, pelo filho, pelo pai, pelas pessoas com quem cruzou – e a si.

Texto: Lorrana Feitosa

Ficha técnica:

Gênero: Drama
Direção: Luciano Moura
Roteiro: Elena Soárez, Luciano Moura
Elenco: Brás Moreau Antunes, Lima Duarte, Mariana Lima, Wagner Moura
Produção: Andréa Barata Ribeiro, Bel Berlinck
Fotografia: Adrian Teijido
Trilha Sonora: Beto Villares
Duração: 96 min.
Ano: 2013
País: Brasil

 

[Claquete] A Família nos consome

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Dirigido por John Wells e adaptado da peça homônima pela própria autora, Tracy Letts, “August: Osage County” (no Brasil, “Álbum de Família”) é um drama de 2013 que se destaca pela quantidade de nomes conhecidos em seu elenco. Entretanto, os méritos do filme não se resumem a isso.

A trama ocorre no árido Condado de Osage, Oklahoma, e gira em torno da problemática Violet Weston (Meryl Streep, em um dos seus melhores papéis), matriarca que sofre de câncer de boca e é viciada em pílulas.

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Após ser abandonada pelo marido, o poeta alcoólatra Beverly Weston (Sam Shepard), Violet recebe a visita de suas três filhas, Barbara (Julia Roberts), Karen (Juliette Lewis) e Ivy (Julianne Nicholson). Beverly comete suicídio, o que leva a uma indesejada reunião familiar marcada pelas divergências entre os membros da família e alguns segredos que permaneceram ocultos por um longo período.

Na análise das atuações, é essencial destacar o reconhecido desempenho de Streep e Roberts. A colaboração das duas em cena é espetacular, tendo em vista que conseguem expressar toda a angústia entre suas personagens. Meryl aparece praticamente desfigurada, com todos os aspectos físicos sintomáticos que Violet deve apresentar. Quanto ao restante do elenco, que inclui Ewan McGregor, Abigail Breslin e Benedict Cumberbatch, sua performance é competente em manter o clima intenso, necessário para a representação crítica dos problemas familiares atuais.

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É exatamente nesse quesito social crítico que o roteiro encontra-se. Construído com enfoque nos fortes e extensos diálogos, o que pode tornar seu desenvolvimento arrastado para alguns, a principal questão levantada pela obra é o atual enfraquecimento das relações humanas, consequência da complexidade psicológica conturbada do sujeito moderno.

Nos casos ali descritos, é possível perceber os vícios e distúrbios desenvolvidos pela insatisfação do ser humano, além dos inconsistentes laços afetivos que surgem em uma sociedade marcada pelo individualismo. Todos possuem seus próprios problemas em “Álbum de Família”, que vão de crises conjugais à demência, além do consumo de drogas como artifício de escape da realidade.

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Em uma proposta de reflexão a respeito do fim das virtudes e da compreensão, antigamente representados pela instituição familiar, que hoje se encontra predominantemente disfuncional, a produção nos permite indagar: afinal, foi a esse mundo em crise que chegamos?

Texto: Gustavo Nery

Ficha Técnica

Título Original: August: Osage County

Ano: 2013

Direção: John Wells

Roteiro: Tracy Letts, adaptado de sua peça homônima

Gênero: Drama

Duração: 2h01min

Origem: EUA

[Claquete] A atuação dos grupos de resistência à Ditadura

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Para relembrar os 50 anos da Ditadura, que data no dia 31 de março, o Blog do Labjor propôs uma claquete extra para trazer uma reflexão maior sobre esse período através do filme brasileiro O Que É Isso, Companheiro?.  O longa, que data de 1997, dirigido por Bruno Barreto e com roteiro de Leopoldo Serran, foi inspirado no livro homônimo do jornalista e político Fernando Gabeira, escrito em 1979.

o-que-e-isso-companheiro-originalObra bastante polêmica, o romance autobiográfico relata o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick no final dos anos 1960 no Rio de Janeiro, por integrantes do grupo de resistência armada à ditadura MR-8 (Movimento Revolucionário Oito de Outubro) – evento no qual Gabeira exerceu um papel essencial.

Contando a história em tons realistas e detalhados, O Que É Isso, Companheiro? estabelece, apesar dos laivos ficcionais, um bom registro da logística interna e da estratégia utilizada pelos movimentos revolucionários de luta contra a ditadura.

o-que-e-isso-companheiroProduzido por Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto, o longa é estrelado por Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Cláudia Abreu, Matheus Nachtergaele, Luiz Fernando Guimarães e conta com participação especial de Fernanda Montenegro e do ator norte-americano Alan Arkin, no papel do embaixador. Lançado nos Estados Unidos com o título Four Days in September, a obra foi indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1998.

Texto: Lia Martins

Ficha Técnica

Título Original: O Que É Isso, Companheiro?
Ano: 1997
Direção: Bruno Barreto
Roteiro: Leopoldo Serran, inspirado no livro homônimo de Fernando Gabeira
Gênero: ação; drama histórico
Duração: 110 min.
Origem: Brasil

[Claquete] A noite em que a música transgrediu a ditadura

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Os 50 anos da implantação da ditadura militar no Brasil, no próximo dia 31 de março, motivam a Claquete a refletir sobre a data. Vamos nos teletransportar, por meio da música, ao ano de 1967. Nada de Beatles gravando Sgt. Pepper’s ou Elvis Presley casando-se com Priscila Beaulieu, mas tropicalismo, violão quebrado, vaias e gritos efusivos como manifesto expressivo numa época de repressão. O passeio é para a noite de 21 de Outubro, dentro do Teatro Paramount, no III Festival de Música Popular Brasileira.

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Renato Terra e Ricardo Calil criaram, de modo simples, um filme que emociona e flana por diversas perspectivas. As apresentações musicais são alternadas por entrevistas de bastidores da época feitas por Blota Jr. e Cidinha Campos e pela manifestação imponente do público heterogêneo (universitários, senhoras de vestes conservadoras e crianças), contrapostas por reflexões e confissões contemporâneas dos artistas e produtores.

“O festival nada mais era do que um programa de televisão. Só que, de repente, por força de uma série de circunstâncias, ele adquiriu uma importância histórica, política, sociológica, musical e transcendental”, descreve Solano Ribeiro, realizador do concurso. As circunstâncias eram provocadas por um cenário de incertezas políticas, transformações culturais e censura − o que levava as pessoas a procurar, em protestos, uma unidade de força e voz. No festival, o público como massa atuante é manifesto, sobretudo, por meio da vaia, que alucinou o músico Sergio Ricardo de modo a quebrar e arremessar seu violão contra a plateia.

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A música, nesse contexto, transforma-se em ato político, em libertação por meio da arte. Os artistas obtinham, nas canções, uma plataforma de disseminação de ideias. “Achávamos que deveríamos soar nacional, soar brasileiro, mas soando global também. Por causa da ditadura, nós precisávamos de uma forte reação da sociedade, em termos de resistência pela liberdade, pela liberdade de expressão, pela circulação de ideias”, medita o cantor, compositor e multi-instrumentista Gilberto Gil.

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Entre as cenas mais emocionantes, está a apresentação de “Alegria, Alegria”, interpretada por Caetano Veloso. Risonho, acompanhado pelos músicos argentinos do Beat Boys e por guitarras elétricas (condenadas dois meses antes pela “Passeata Contra As Guitarras”), o cantor e compositor tropicalista é recepcionado por vaias ensurdecedoras. Aos poucos, a chacota se transforma em veneração: uníssono e aplausos entusiasmados. “Ver um artista num palco virar uma multidão feroz sem dizer uma palavra, só cantando foi uma das maiores emoções que eu tive no show business. Foi lindo!”, rememora saudoso o jornalista e produtor musical Nelson Motta.

CAETANO VELOSO

Texto: Alana Oliveira 

Ficha Técnica

Título: Uma Noite em 67

Ano: 2010

Direção: Renato Terra e Ricardo Calil

Gênero: Documentário

Duração: 85 min.