Minha terra, Fortaleza, onde vejo o sol brilhar

Barra do Ceará. Foto: Débora Queirós
Barra do Ceará. Foto: Débora Queirós

A capital do Ceará, que neste sábado,13, completa 287 anos, cativa afetos nos que aqui nasceram. Nos que partem, fica a saudade, como se o vigor dessa Fortaleza não se encontrasse em outro lugar. Como diz Gonçalves Dias na emblemática Canção do Exílio, “nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores; Nossos bosques têm mais vida; Nossa vida mais amores.”

Em nossa cultura, aniversários são datas cercadas de expectativas. Por isso, é comum sair-se um pouco da rotina, expressando sentimentos e presenteando quem protagoniza mais um ano de vida. Por essa razão, alguns fortalezenses resolveram presentear a cidade conhecida como terra do sol, falando do que mais gostam nela.

O sol e o calor de Fortaleza, não à toa, são os itens bastante citados, principalmente por aqueles que habitam outras terras, longe da natal. Ao ser questionado sobre seu local favorito, o músico Thiago Montana, que vive há cinco anos em Estocolmo, fica em dúvida entre a beira-mar e o bairro Benfica. “A beira-mar é um lugar de se deliciar com o por do sol, fazendo uma corrida rápida depois do trabalho, e também mais a noite, com a paisagem e amigas de não muito tempo”, diz ele.

Saudade do calor. Thiago Montana no frio europeu.
Saudade do calor. Thiago Montana no frio europeu.

Quanto às razões sobre o apreço pelo Benfica, Thiago conta com saudade das “noites quentes de verão, em que costumava esfriar com algumas cervejas geladas em algum bar próximo”, mas admite que o que realmente gostava eram as noites cheias de gente comunicativa do bairro.

Como Thiago, a estudante Águeda Pryska, que há alguns meses mora na França, compartilha uma afeição especial pela Beira-mar, mas sob uma perspectiva diferente. “Eu gosto do vazio de pessoas no aterro pelas manhãs bem cedo, do vento e também por sentir a beleza de Fortaleza mais forte nessa área – não sei explicar bem o motivo. Mas para mim é o cartão postal de cidade!”, conta.

Águeda Pryska, na paisagem panorâmica da Beira-mar. Foto: Arquivo pessoal
Águeda Pryska, na paisagem panorâmica da Beira-mar. Foto: Raquel Cavalcante

“Vai manter a tradição…”

Filó França, integrante do tradicional bloco carnavalesco, Unidos da Cachorra, também elege o Benfica como seu cantinho predileto. “Adoro ir para lá pra ficar sentada ouvindo as histórias do seu Chagas, no famoso bar do Chaguinha; de beber sentada na calçada e, principalmente, do carnaval que acontece lá, cheio de originalidade cearense e alegria”, conta ela.

O que Filó descreve são elementos da cidade tão tangíveis quanto sua beleza natural. O que parece marcar quem aqui nasceu, além do “só, bem vermeio” de Patativa, é uma cultura rica, diversa e profunda. Se Fortaleza tivesse um banquete de aniversário, certamente não faltaria a tradicional cocada, o quebra-queixo e um bolo de Fubá bem grande, para caber as 287 velinhas.

Filó França curtindo o carnaval do Benfica. Foto: Arquivo pessoal
Filó França curtindo o carnaval do Benfica. Foto: Arquivo pessoal

Comemoração oficial

A Prefeitura organizou uma programação aberta ao público, em homenagem à cidade. A grande estrela da noite será o cantor Milton Nascimento, que fecha os shows deste sábado. Para facilitar o acesso, além de baixar temporariamente o valor da passagem para R$ 1.60 (inteira) e R$0,80 (meia), será disponibilizada uma frota extra de ônibus.

Confira a programação cultural de aniversário:

16h – Abertura da Arena Infantil.
18h – Show “Brincadeiras Cantadas”, do grupo Palavra Cantada.
20h – Show “Para cantar Fortaleza”, com artistas locais cantando canções de compositores cearenses.
21h – Show do Milton Nascimento com participação da fadista portuguesa Carminho e da Orquestra Eleazar de Carvalho.

Serviço

Aniversário de 287 anos de Fortaleza

Local: Aterro da Praia de Iracema
Horário: sábado (13), a partir das 16 horas

Texto: Manoela Cavalcanti

Fortaleza, para os que vêm

Foto: Alex Uchoa
Foto: Alex Uchoa

Em comemoração aos 287 anos de Fortaleza, que serão comemorados no dia 13 de abril, o Blog do Labjor buscou uma série de depoimentos de pessoas que fizeram da cidade o seu lar, apresentando, de forma breve, suas histórias e o porquê de optarem pela mudança.

A Cidade da Luz é a quinta capital do país em população, tem o maior PIB do Nordeste, 9° do Brasil segundo dados do IBGE. Com clima tropical quente, ideal para suas famosas praias, é um dos destinos turísticos mais visitados do país de acordo com o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).

 Remi Dalla Costa

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Costa, 50 anos, é de Bento Gonçalves (RS). Ele era caminhoneiro e rodava o Brasil quando conheceu sua ex- esposa, no Ceará. Casaram-se no Sul e tiveram duas filhas, mas logo retornaram à Fortaleza. Desde 1988, vivem na cidade. Os lugares que mais frequentam é a Praia do Futuro, o Centro e a Beira-mar.

 “Fortaleza encanta por suas praias belas, clima estável (sem mudança brusca de temperatura), pessoas receptivas e calorosas.”

Barbara Degues

barbara
Foto: Arquivo pessoal

Em 2006, Barbara veio de Lisboa, Portugal, com a família. Filha de missionários, ela é estudante de  Arquitetura e Urbanismo. Diz que gosta dos prédios altos e modernos da cidade, e cita a praia do Porto das Dunas como seu local preferido.

 Ana Sousa

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Ela também veio de Portugal, mas é filha de pai brasileiro e mãe portuguesa. Ana veio morar no Brasil por incentivo do pai, que desejava que ela estudasse aqui. Hoje, com 20 anos, cursa o 5° semestre de Jornalismo na Universidade de Fortaleza.

Seu lugar favorito é o Dragão do Mar, que, segundo afirma, lembra um pouco o ambiente de Portugal.

“Quis tentar conhecer algo novo, e viver aqui seria uma boa oportunidade.”

Manoel Lafuente

Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Lafuente tem 20 anos e nasceu em Belém do Pará. Residiu em Fortaleza entre 2008 e 2010 com sua família. No início, teve receio com a diferença entre as duas culturas, mas logo percebeu que teria uma rápida adaptação, tanto que retornou a residir na cidade em 2012. O que mais lhe encanta de Fortaleza é a Ponte dos Ingleses, a Beira-mar e as barracas de praia que contam com música e culinária.

 “Fortaleza foi o lugar que morei, que mais me aproximou do que considero ser, comparada a Belém, um lar”.

Texto: Mariane Dantas