[Claquete] Sessão: copo meio cheio ou meio vazio

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50% é a comédia dramática pela qual Joseph Gordon-Levitt teve sua segunda indicação ao Globo de Ouro. O filme é centralizado em Adam (Gordon-Levitt), que abruptamente, aos 27 anos, descobre-se com um câncer raro e 50% de chance de cura. Sem melancolia, o roteiro vai explorando os desdobramentos que a doença traz às suas relações.

O tema não é original, mas afinal, o que é que ainda não foi feito em termos de cinema? Originalidade mesmo, só a tecnologia provém. E apesar das quatro, cinco e seis dimensões que guardam algumas salas cinematográficas, o objetivo mesmo é ver, sentir ou cheirar (que seja) uma história válida.

Mesmo com seu tema batido, 50% tem seus diferenciais, como a não espetacularização do uso da maconha para fins medicinais. Mas o grande destaque está no elenco. Ao lado de Gordon-Levitt, atuam Anna Kendrick (Amor Sem Escalas), Bryce Dallas Howard (A Vila), Anjelica Huston (Crimes e Pecados), Philip Baker Hall (Magnólia), e Seth Rogen, que além de fazer parte da produção do longa, agrega um humor politicamente incorreto. Uma curiosidade é que a ideia do filme surgiu quando um amigo de Rogen foi diagnosticado com câncer, e recebeu a estimativa de 50% de chance de sobrevivência.

A dúvida de vida ou morte, sublinha a trajetória do roteiro, ficando sempre a espreita. O tema é tratado com a devida dignidade, mas é engraçado quando se propõe a ser, e também, como é o proposto, tenta evitar o clichê. Essa fuga do clichê funciona tanto pelas atuações – Seth e Gordn-Levitt são conhecidos entre produções independentes – quanto pela trilha sonora, que agrega estilo e leveza. Mas o filme não transcende o que se espera. Talvez justamente pela originalidade nos trabalhos pregressos dos principais atores. A montagem, direção e posicionamentos de câmeras são competentes, funcionam, mas com um elenco desses, fica a impressão de que poderia ter havido saídas mais criativas.

Texto: Manoela Cavalcanti
Orientação: Profa. Joana Dutra