Vigilância ajuda a acessibilidade na Unifor

* Matéria elaborada por aluno da Oficina de Jornalismo – Ciberjornalismo.

Foto: Divulgação

Uma relação que dá certo embora não seja perfeita. Enquanto a instituição não oferece equipamentos físicos pra cegos, os vigilantes se desdobram em atenção. Para os deficientes visuais, a disposição dos blocos da Unifor, que não seguem uma linearidade, resulta na dificuldade para se locomover livremente dentro do Campus.

Habitualmente, os cegos de nossa cidade conseguem andar nas ruas de maneira mais autônoma, visto que nesse espaço, prevalece a linearidade, pois as casas, os prédios, os pontos comerciais estão dispostos geralmente um ao lado do outro, e quando há um espaço entre eles significa que, ali, finalizou-se um quarteirão.

Lógica esta que não encontramos dentro da Universidade, além disto, estão ausentes também no Campus, o piso tátil e as placas informativas em Braille, contendo dados como, por exemplo, letra indicativa do bloco, números de suas respectivas salas, além de indicações de banheiro, biblioteca, e outros locais que compõem a Universidade. Segundo a coordenadora do Papi, Programa de Apoio Psicopedagógico da Unifor, Terezinha Jóca, “estas implementações ainda não foram realizadas, pois o Escritório de Acessibilidade vinculado ao curso de Arquitetura, coordenado pela professora Wladia Barbosa, passou cerca de dois anos fechado, e está retomando as suas atividades neste semestre”.

Vigilância de olhos abertos

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Mas, diante de todas essas dificuldades, existem pessoas com um papel fundamental no auxílio ao deslocamento dos deficientes visuais dentro da Unifor, que são os seguranças.

Segundo ressalta o coronel Caracas, coordenador do Setor de Segurança da Unifor, “esses profissionais nunca tiveram treinamento adequado para lidar com esse público, pois a função deles é zelar pelo patrimônio da Universidade e pelo bem estar daqueles que a frequentam”. Apesar desses profissionais não serem treinados para isso, eles sabem guiar perfeitamente os cegos lhes levando com toda boa vontade para quaisquer locais do Campus onde estes necessitem estar. De acordo com Terezinha Jóca, coordenadora do Papi, “os seguranças ainda não tiveram treinamento adequado para guiar deficientes visuais, pois esta proposta foi enviada para o RH da Instituição e ainda estamos aguardando uma resposta”. Mas Jóca nos conta que a Universidade já ofertou algumas vezes o curso de libras e que vários destes alunos desempenhavam as suas atividades como segurança.

Mesmo que com este auxílio, o deficiente visual não tem uma total autonomia na sua mobilidade dentro do Campus e se, por ventura, essa ajuda não ocorresse com as atuais condições estruturais da Unifor, seria impossível o descolamento de um deficiente visual dentro desta Universidade.

Saiba mais sobre acessibilidade.

Texto: Celso Nóbrega