Copa das Confederações altera datas para o Cine Ceará

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As datas da 23ª edição do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, foram alteradas devido à Copa das Confederações.  Em vez de acontecer em junho, será de 7 a 14 de setembro. As inscrições já foram abertas e vão até dia 7 de junho. O evento é uma promoção da Universidade Federal do Ceará (UFC) por meio da Casa Amarela Eusébio Oliveira.

Além da Mostra Competitiva de curtas e longas-metragens, também acontecerão outros eventos paralelos sobre cinema, como encontros de realizadores e produtores, palestras, seminários internacionais e lançamentos de filmes.

Getúlio de Abreu, estudante do 3º semestre Audiovisual da Unifor, não vai se inscrever nessa edição, mas acha que o evento é muito importante para a divulgação de trabalhos de pessoas que ainda estão com pouca experiência. “Já inscrevi um curta-metragem em vários festivais e só foi aceito em um da Colômbia. Mas é ótimo pelo espaço que conseguimos”. Samuel Carneiro, que está no 6º semestre, diz que “é muito importante divulgar os produtos independentes, tanto de estudantes, como de professores e entusiastas.”

Mostra Competitiva

Para os longas-metragens, serão aceitas produções ibero-americanas, ou seja, da América Latina, Caribe, Portugal e Espanha. A duração deve ser acima de 70 minutos, de qualquer gênero e formato, contanto que possam ser apresentadas digitalmente no dia de exibição. Já os curtas-metragens só podem durar até 20 minutos e terem sido produzidos a partir de 2012 por brasileiros ou radicados no país há mais de três anos e que não tenham participado de outra seleção do evento.

As inscrições são gratuitas e a ficha está disponível no site oficial. O participante deve preenchê-la, anexá-la ao e-mail indicado para a sua categoria e enviar uma cópia do filme em um DVD com o material de divulgação. A ficha de inscrição precisa ser impressa, preenchida, assinada e enviada para o e-mail para o endereço indicado.

Todas as obras que forem selecionadas e exibidas concorrem ao Troféu Mucuripe em várias categorias. O vencedor de Melhor Longa-metragem leva o prêmio de 10 mil dólares (aproximadamente R$23 mil). O júri, formado por estudantes universitários de Fortaleza, também irá premiar os curtas da mostra Olhar do Ceará, além de menções honrosas e prêmios especiais.

Serviço

Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema

Data: 7 a 14 de setembro
Local: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Inscrições até o dia 7 de junho

Texto: Thaís Praciano

[Claquete] Batismo de Sangue: “É preferível morrer do que perder a vida”

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Frei Tito, representado por Caio Blat, preso e torturado.

Com um andar angustiado e resoluto, esmagando folhas e cascalhos por uma natureza fria de bosque inóspito, frei Tito caminha depressa às margens do rio Saône, na França, como quem tem algo a resolver com urgência. Era o ano de 1974, e o que o frei cearense iria fazer era acabar com a própria vida, pendurando-se de uma árvore.

Assim começa o filme Batismo de Sangue (2007), baseado em livro homônimo de frei Betto. “Entre o céu e a terra”, é como Betto descreve o suicídio do frade amigo que sucumbiu no exílio, após ter sofrido meses de encarceramento e torturas pela resistência à ditadura militar.

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A sequência do roteiro começa mostrando ações dos jovens frades dominicanos com o movimento estudantil, e os primeiros contatos com a Ação Libertadora Nacional (ALN)  – grupo clandestino de luta armada contra a ditadura. O filme, que é uma biografia de Frei Tito de Alencar Lima, acompanha a trajetória desses jovens religiosos até suas prisões, e os desdobramentos destas.

A montagem é coerente. Ao longo da narrativa, o telespectador é dominado por uma espécie de pressentimento funesto, uma vez que o longa se inicia no desfecho infeliz de frei Tito. Algumas cenas contém diálogos que soam encenados, como se atores de teatro com português correto e gestos largos tivessem sido filmados. Nem todos seguem essa linha – Caio Blat (Tito), Daniel Oliveira (Betto), Angelo Antônio (frei Oswaldo), por exemplo, tem atuações mais sutis, sem perder a intensidade. Os figurinos, cenários e a fotografia convergem, formando uma eficiente reconstituição de época.

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É um filme pesado, como dificilmente não seria qualquer outra produção que trate desse período negro da história brasileira. As longas cenas de tortura são de embrulhar o estômago e um tanto dilacerantes. Elas podem explicar como o frei preferiu morrer, pois já havia perdido a vida.

Um debate que não envelhece 

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Batismo de Sangue foi exibido na segunda sessão do Cineclube Unifor, deste mês de março. Nildes Alencar, irmã de frei Tito, esteve na exibição e na discussão que seguiu acerca do filme. Com os olhos marejados, ela falou que dessa vez, viu do começo ao fim cenas mais cruéis. “É muito importante que essa história seja contada de uma forma bem real”, disse ela. E destacou que a relevância do retorno ao tema é necessária para que a juventude esteja alerta.

 Nildes elogiou a autenticidade histórica do longa e a performance de Caio Blat. “O Caio passou dois dias na minha casa, conversando até às 2h da manhã. O Tito está muito bem representado”, disse. Já quanto à atriz que a representou a representação de si mesma, Nildes acredita que houve falta de pesquisa.

 Segundo ela, o sotaque da atriz que encarnou seu papel, Marcélia Cartaxo, está distante do cearense. Também criticou a cena em quem Nildes vê o irmão pela última vez. “Naquele encontro, eu busquei salvar o meu irmão. Encontrei um morto-vivo; silencioso, calado. Tive pouco tempo, apenas um mês. Emocionada, parti de trem, vendo meu irmão ficar, sabendo que era a última vez que o veria”. Nildes refere-se a sua viagem à França para encontrar Tito exilado, e sem esperanças.

Porque relembrar 

 Desde o fim dos piores e violentos anos da ditadura brasileira, os chamados “anos de chumbo”, houve muita produção cultural envolvendo o tema. No que se refere a filmes, conta-se Lamarca (1994), O que é isso companheiro (1997), Cabra-Cega (2004), O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006), Zuzu Angel (2006), e a lista continua, dentre muitos outros. Há quem diga, como por exemplo na resenha crítica sobre o filme Batizado de Sangue, do site Omelete, que o assunto é batido, que explorá-lo tanto assim leva a banalização. Em contrapartida, teóricos, diretores, atores, enfim, produtores culturais, enaltecem a importância de voltar ao tema.

Contudo, dos vários países da América Latina, que estiveram sobre o crivo de ditaduras, o Brasil se destaca por uma particularidade: os agressores, torturadores, e políticos responsáveis pelas conhecidas crueldades infligidas aos “subversivos” e que ainda não responderam por seus crimes. Sem contar a grande quantidade de homenagens, por meio da memoração de datas e monumentos históricos, feitas aos agentes repressores – como é o caso do delegado Sergio Paranhos Fleury, personagem do filme e criador do Esquadrão da Morte, que recebeu a Medalha do Pacificador. Talvez sejam fatos como este, incentivo suficiente para a recorrência à temática.

 

Texto: Manoela Cavalcanti

 

Marina de la Riva e Bruna Caram estreiam em Fortaleza

Bruna Caram e Marina de la Riva/Montagem: Thalyta Martins (a partir de fotos de divulgação)

De um lado, a música latino-americana, do outro, a música popular brasileira. Marina de la Riva, filha de cubanos, e Bruna Caram, paulista, são duas das atrações do IV Festival UFC de Cultura, realizado pela Universidade Federal do Ceará. O evento, que acontece de 17 a 21 de outubro deste ano, traz uma programação voltada para as manifestações culturais, artísticas e estéticas de vários países da América Latina.
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