[Ensaio] Beira Mar

Foto: Felipe Toscano
Foto: Felipe Toscano

Durante duas semanas, fui à Beira Mar com a intenção de fotografar  paisagens. A ideia de fotografar o local surgiu durante um passeio, e a intenção do ensaio é mostrar a beleza daquele lugar, esquecido por grande parte da população local. Todas as fotos foram feitas com a câmera do celular e depois tratadas no Photoshop, para obter a imagem idealizada. A escolha das paisagens fotografadas foi feita de forma que o público veja as fotos e tenha vontade de ver pessoalmente.

Texto: Felipe Toscano 

Confira a galeria: 

Feirantes da Beira Mar enfrentam violência e descaso

Foto: Ravelle Gadelha
Foto: Ravelle Gadelha

Após a chamada “Primavera Brasileira”, os protestos pelo bem-estar social fortalezense, composto pela luta por direitos básicos como saúde, educação e segurança, se adequam ao contexto da violência que intimida turistas e trabalhadores, além de promover um inconsciente coletivo do medo.

José Gilvan Lima, 46, trabalha no meio artístico há quatro anos, fazendo artesanato em casas de praia no interior do Estado. Para se sustentar, ele produz objetos decorativos de vários estilos utilizando matérias-primas naturais, como o cipó e o galho de pau, por exemplo. Suas motivações de trabalho é, principalmente, a renda estável, porém, ultimamente ela não é suficiente, já que o descaso com a questão da segurança afasta os compradores de seus produtos. “O trabalho piorou muito ultimamente, a gente não consegue mais reconhecimento em nenhuma parte”.

José Gilvan. Foto: Revelle Gadelha
José Gilvan. Foto: Revelle Gadelha

A empresa para a qual trabalha, a RG Artesanato, também foi mencionada como colaboradora em seu complemento financeiro, embora também sofra com a falta de divulgação e de reconhecimento, até mesmo nas vendas internacionais. Além disso, o que dificulta esse meio de vida é a falta de policiamento efetivo na área.

Apesar de ter orgulho de seu trabalho, Gilvan Lima deseja um espaço mais adequado de trabalho seguro e equilibrado. Com as ondas de assaltos recentes e de qualquer tipo de intimidação, aqueles que dependem dessa fonte de renda tentam arranjar outros meios de exibir de vender suas mercadorias, como um segundo emprego de prestação de serviços, por não conseguirem um retorno lucrativo satisfatório.

Texto: Ravelle Gadelha

Minha terra, Fortaleza, onde vejo o sol brilhar

Barra do Ceará. Foto: Débora Queirós
Barra do Ceará. Foto: Débora Queirós

A capital do Ceará, que neste sábado,13, completa 287 anos, cativa afetos nos que aqui nasceram. Nos que partem, fica a saudade, como se o vigor dessa Fortaleza não se encontrasse em outro lugar. Como diz Gonçalves Dias na emblemática Canção do Exílio, “nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores; Nossos bosques têm mais vida; Nossa vida mais amores.”

Em nossa cultura, aniversários são datas cercadas de expectativas. Por isso, é comum sair-se um pouco da rotina, expressando sentimentos e presenteando quem protagoniza mais um ano de vida. Por essa razão, alguns fortalezenses resolveram presentear a cidade conhecida como terra do sol, falando do que mais gostam nela.

O sol e o calor de Fortaleza, não à toa, são os itens bastante citados, principalmente por aqueles que habitam outras terras, longe da natal. Ao ser questionado sobre seu local favorito, o músico Thiago Montana, que vive há cinco anos em Estocolmo, fica em dúvida entre a beira-mar e o bairro Benfica. “A beira-mar é um lugar de se deliciar com o por do sol, fazendo uma corrida rápida depois do trabalho, e também mais a noite, com a paisagem e amigas de não muito tempo”, diz ele.

Saudade do calor. Thiago Montana no frio europeu.
Saudade do calor. Thiago Montana no frio europeu.

Quanto às razões sobre o apreço pelo Benfica, Thiago conta com saudade das “noites quentes de verão, em que costumava esfriar com algumas cervejas geladas em algum bar próximo”, mas admite que o que realmente gostava eram as noites cheias de gente comunicativa do bairro.

Como Thiago, a estudante Águeda Pryska, que há alguns meses mora na França, compartilha uma afeição especial pela Beira-mar, mas sob uma perspectiva diferente. “Eu gosto do vazio de pessoas no aterro pelas manhãs bem cedo, do vento e também por sentir a beleza de Fortaleza mais forte nessa área – não sei explicar bem o motivo. Mas para mim é o cartão postal de cidade!”, conta.

Águeda Pryska, na paisagem panorâmica da Beira-mar. Foto: Arquivo pessoal
Águeda Pryska, na paisagem panorâmica da Beira-mar. Foto: Raquel Cavalcante

“Vai manter a tradição…”

Filó França, integrante do tradicional bloco carnavalesco, Unidos da Cachorra, também elege o Benfica como seu cantinho predileto. “Adoro ir para lá pra ficar sentada ouvindo as histórias do seu Chagas, no famoso bar do Chaguinha; de beber sentada na calçada e, principalmente, do carnaval que acontece lá, cheio de originalidade cearense e alegria”, conta ela.

O que Filó descreve são elementos da cidade tão tangíveis quanto sua beleza natural. O que parece marcar quem aqui nasceu, além do “só, bem vermeio” de Patativa, é uma cultura rica, diversa e profunda. Se Fortaleza tivesse um banquete de aniversário, certamente não faltaria a tradicional cocada, o quebra-queixo e um bolo de Fubá bem grande, para caber as 287 velinhas.

Filó França curtindo o carnaval do Benfica. Foto: Arquivo pessoal
Filó França curtindo o carnaval do Benfica. Foto: Arquivo pessoal

Comemoração oficial

A Prefeitura organizou uma programação aberta ao público, em homenagem à cidade. A grande estrela da noite será o cantor Milton Nascimento, que fecha os shows deste sábado. Para facilitar o acesso, além de baixar temporariamente o valor da passagem para R$ 1.60 (inteira) e R$0,80 (meia), será disponibilizada uma frota extra de ônibus.

Confira a programação cultural de aniversário:

16h – Abertura da Arena Infantil.
18h – Show “Brincadeiras Cantadas”, do grupo Palavra Cantada.
20h – Show “Para cantar Fortaleza”, com artistas locais cantando canções de compositores cearenses.
21h – Show do Milton Nascimento com participação da fadista portuguesa Carminho e da Orquestra Eleazar de Carvalho.

Serviço

Aniversário de 287 anos de Fortaleza

Local: Aterro da Praia de Iracema
Horário: sábado (13), a partir das 16 horas

Texto: Manoela Cavalcanti